As Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau como expressão do Capitaloceno: impactos e enchentes no rio Madeira sob perspectiva da história ambiental

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36661/2238-9717.2026n47.15247

Palavras-chave:

Capitaloceno, História Ambiental dos Desastres, Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira

Resumo

Este artigo analisa as Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, instaladas no Rio Madeira (RO), como expressões do Capitaloceno e vetores de produção de desastres socioambientais na Amazônia. Dialogando com a História Ambiental, o estudo investiga como grandes infraestruturas atuam  na reconfiguração dos territórios e, principalmente, produzindo riscos, vulnerabilidades e injustiças ambientais. Utilizando como fonte principal reportagens veiculadas entre 2012 e 2023 em diferentes meios de comunicação, a pesquisa identifica os padrões narrativos e os conflitos sociais associados aos impactos das usinas. O trabalho sustenta que tais desastres resultam de uma opressão reafirmada pelo aparelho Estatal que transforma ecossistemas e comunidades em Natureza Barata.

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Publicado

02-02-2026

Como Citar

FLORES, Matheus Albuquerque; LOPES, Alfredo Ricardo Silva. As Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau como expressão do Capitaloceno: impactos e enchentes no rio Madeira sob perspectiva da história ambiental. Fronteiras: Revista Catarinense de História, Brasil, n. 47, p. 274–294, 2026. DOI: 10.36661/2238-9717.2026n47.15247. Disponível em: https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/FRCH/article/view/15247. Acesso em: 4 fev. 2026.