A PAISAGEM COMO RECURSO POLÍTICO NOS CONFLITOS URBANOS
o caso dos restaurantes de Unidades de Vizinhança (RUVS) em Brasília (DF)
DOI:
https://doi.org/10.36661/2448-1092.2026v18n28.14502Palavras-chave:
Lúcio Costa. Política da Paisagem. Política urbana. Plano Piloto.Resumo
Atualmente, a paisagem integra o debate e a formulação de políticas públicas voltadas ao uso compartilhado da cidade. Nesse sentido, o termo política da paisagem surge quando esse elemento é mobilizado por diferentes agentes, mediante narrativas variadas, para expandir seus capitais políticos. Brasília constitui um campo de estudo privilegiado devido à densidade de patrimonializações, sujeitas a contestações ou reafirmações a partir dessa noção, como exemplifica o conflito em torno dos Restaurantes de Unidade de Vizinhança (RUVs). Este artigo analisa de que maneira os argumentos dos moradores locais se articulam a uma concepção de paisagem que legitima suas reivindicações urbanas, identificando as narrativas presentes em seus discursos. A metodologia envolveu revisão bibliográfica sobre a criação da cidade, trabalho de campo, levantamento de notícias em jornais locais e entrevistas semiestruturadas com moradores e representantes do GDF e do IPHAN. A análise dos dados utilizou o software Requalify.ai. Os resultados indicam a predominância de argumentos pautados na dimensão ambiental e na identidade modernista em detrimento de justificativas técnicas ou econômicas. Evidencia-se, assim, como grupos economicamente favorecidos empregam a paisagem como recurso político nas disputas com o Estado.
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