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Crítica e a Fundamentação nas Ciências Humanas

03-05-2019

Este Dossiê, a ser editado pela Profa. Dra. Joice Beatriz Costa, propõe como tema a Crítica e a Fundamentação nas Ciências Humanas. Ao pesquisarmos um tema nas Ciências Humanas devemos ter a consciência teórica do âmbito a partir do qual estamos desenvolvendo um determinado objeto e, também, a sua metodologia. Nas Ciências Empírico-matemáticas é mais evidente o modo como este trâmite teórico se desenvolve. Nas Ciências Humanas, dada a sua natureza, temos menor grau de evidência de como isto se constitui, o que implica dizer, o modo como se dá a fundamentação e a crítica nas Ciências Humanas.

Levando em consideração estas importantes questões, o presente Dossiê se propõe a compor uma investigação a partir de alguns marcos teóricos fundamentais para o despertar da consciência do objeto e da metodologia, no âmbito filosófico de crítica e fundamentação, na pesquisa interdisciplinar em Ciências Humanas. Alguns dos marcos teóricos fundamentais, que poderão ser referência nestes estudados são W. Dilthey, com sua tentativa de fundamentação das Ciências do Espírito, H. G. Gadamer e sua ontologia da linguagem através da hermenêutica filosófica e M. Foucault com sua arqueologia das Ciências Humanas. Estes e outros teóricos importantes para esse debate serão trazidos para um diálogo interdisciplinar com áreas do conhecimento, tais como: ciências sociais, história, psicologia, direito, serviço social, jornalismo, arquitetura, entre outras.

Como afirma Hilton Japiassu “As ciências ditas humanas vieram colocar o seguinte problema: afinal, o que sabemos sobre o homem? Kant já se perguntara: “o que posso saber?” Responder a essa questão era elaborar uma teoria do conhecimento. E responder à questão: “o que podemos efetivamente saber sobre a realidade humana?” é construir uma epistemologia das ciências humanas. Ora, o estatuto do saber não é unívoco, porém, equívoco. Ademais, não é evidente, mas enigmático. Em certos domínios constituíram-se esses conjuntos coerentes de princípios e de leis, seguros da precisão de seus métodos e da eficácia de suas aplicações, que denominamos de ciências. Tais conhecimentos supõem, certamente, a unidade da razão. Disporíamos, assim, de um saber acumulativo. Tal saber pode crescer. Pode reestruturar-se. Mas se concretiza através dos séculos. Na outra extremidade, situa-se o saber quotidiano, transportado por uma linguagem e inserido na ação. Tal saber basta à maioria dos homens, que ignora quase tudo das ciências. Entre esses dois tipos de saber, elaboram-se outros saberes assumindo as formas de doutrinas, de ideologias, de hipóteses mais ou menos coerentes e empíricas. Esses saberes constituem os objetos de nossas crenças, de nossas opiniões e de nosso conhecimento espontâneo. Agrupam-se em torno da ética, da política, da estética, da literatura, da filosofia. Seu principal objeto de investigação seria o homem. Todo esse conjunto fornece o material de disciplinas reflexivas recentemente organizadas: história das ciências, história das ideias, psicologia do conhecimento, sociologia do saber. Assim, convencionou-se chamar de “ciências humanas” todos os empreendimentos de elucidação das palavras, dos gestos e dos atos humanos. E é um fato recente que os fenômenos humanos tornaram-se o objeto exclusivo de ciências distintas das ciências naturais.

Donde nossa perplexidade: como nascem e se transformam os saberes? “Em nome de que se exclui a alquimia, por exemplo? Por que tal ciência nasceu em um determinado momento histórico? Por que os homens discutem tanto sobre determinados problemas que desaparecem sem serem resolvidos? Sem dúvida, compete às ciências humanas responder tais questões. Todavia, como tais ciências nasceram no século passado? Por que o homem se viu, de repente, alvo do interesse científico? O que ocorreu em nossa cultura para que o homem viesse a constituir objeto de ciência? Que tipo de saber exigem as ciências humanas? Por que depositamos nelas quer nossa esperança, quer nossas decepções? O que podem ensinar-nos sobre a verdade do homem? (...)”. (In: Nascimento e Morte das ciências humanas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, pp. 15-16).

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