Rupturas e esperanças no ensino de Ciências na Educação do Campo: articulações entre Clubes de Ciências do Campo, Espaços Não Escolares e Formação Docente como práticas emancipadoras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36661/2595-4520.2026v9n2.15490

Palavras-chave:

Formação docente, Ensino de Ciências, Clubes de Ciências do Campo, Espaços Não Escolares, Pensamento Crítico em Paulo Freire

Resumo

Este artigo analisa as articulações entre os Clubes de Ciências do Campo (CCC), os Espaços Não Escolares (ENE) e a Formação Docente (FD) para o ensino de Ciências na Educação do Campo, fundamentado no pensamento crítico de Paulo Freire. Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, sustentado em referenciais de distintos campos teóricos, com base em um movimento dialógico e interpretativo. A escrita a partir dos referenciais conduziu à identificação de tensões que exigem rupturas epistemológicas e políticas, denunciando a hegemonia curricular e as desigualdades históricas. Nesse contexto, os CCC e os ENE se configuram como movimentos de confluências entre os princípios freirianos e as demandas da Educação do Campo, ao promoverem o diálogo entre saberes científicos e comunitários. A FD, nesse processo, favorece a ressignificação da práxis docente e constitui condição de possibilidade para consolidar uma práxis investigativa. Considera-se que os CCC, articulados aos ENE, representam uma centralidade curricular, e sua efetivação depende de uma formação docente pautada em balizadores ético-políticos, além de indicar a necessidade de uma agenda de pesquisa voltada ao impacto dessas práticas.

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Biografia do Autor

  • Daniela Alves da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Doutoranda em Educação em Ciências-UFRGS. Mestre em Educação em Ciências-UFRGS. Graduação em Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza-UFRGS. Especialiasta em Educação em Ciências (C10)-UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa e Estudos em Educação do Campo e Ciências da Natureza-UFRGS. Extensionista no Programa de Extensão Clubes de Ciências do Campo (UFRGS). Integrante da Rede Unitwin/Cátedra UNESCO Cidade que Educa e Transforma. Professora do Estado de Santa Catarina.

  • José Vicente Lima Robaina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Professor Adjunto do Campus Porto Alegre, Departamento de Ensino e Currículo (DEC), da Faculdade de Educação (FACED), do curso de Educação do Campo: Licenciatura em Ciências da Natureza, UFRGS. Professor do PPG Educação em Ciências, UFRGS. Professor do Programa de Pós-graduação em Docência em Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática - PPGSTEM da UERGS, campus Guaíba, Professor do Programa de Pós-Graduação Doutorado em Educação em Ciências e Matemática PPGECEM da Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática REAMEC. Coordenador do Grupo de Pesquisa e Estudos em Educação do Campo e Ciências da Natureza. Coordenador do Grupo de Pesquisa Educação Integral na Escola e na Sociedade: sujeitos, territórios, dimensões e interfaces. Possui Pós-Doutorado em Educação e Educação do Campo FACED/UFRGS, Doutorado em Educação pela UNISINOS, Mestrado em Educação pela UFRGS, Especialização em Toxicologia Aplicada, PUCRS, Especialização em Educação Química, UFRGS, Graduação em Licenciatura Curta em Ciências, PUCRS, Graduação em Licenciatura Plena em Química, PUCRS.

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Publicado

05-05-2026

Como Citar

SILVA, Daniela Alves da; ROBAINA, José Vicente Lima. Rupturas e esperanças no ensino de Ciências na Educação do Campo: articulações entre Clubes de Ciências do Campo, Espaços Não Escolares e Formação Docente como práticas emancipadoras. Revista Insignare Scientia - RIS, Brasil, v. 9, n. 2, p. e15490, 2026. DOI: 10.36661/2595-4520.2026v9n2.15490. Disponível em: https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/RIS/article/view/15490. Acesso em: 7 maio. 2026.