Dossiê n. 49- 2027/01: Fronteiras, migrações e experiência decolonial em tempos de crises climáticas
Nas primeiras décadas do século XXI, a intensificação das crises climáticas tem reconfigurado de modo profundo as dinâmicas sociais, territoriais e políticas em escala global. Eventos extremos, degradação ambiental, deslocamentos forçados e disputas por recursos tornam-se elementos estruturantes de um cenário em que fronteiras — geográficas, simbólicas e epistemológicas — são continuamente tensionadas. Nesse contexto, o campo historiográfico é convocado a revisitar suas categorias analíticas, temporalidades e arquivos, incorporando perspectivas capazes de dar conta da complexidade dessas transformações. O dossiê “Fronteiras, migrações e experiência decolonial em tempos de crises climáticas” propõe reunir contribuições que articulem história, ambiente e mobilidade humana, privilegiando abordagens críticas e decoloniais. Interessa-nos compreender como diferentes sujeitos históricos — povos indígenas, comunidades tradicionais, populações periféricas, migrantes e refugiados ambientais — têm experienciado, interpretado e resistido às múltiplas formas de crise, frequentemente inscritas em continuidades coloniais e desigualdades estruturais. Do ponto de vista científico, o dossiê busca fomentar o diálogo entre história ambiental, história das migrações, estudos de fronteira e epistemologias do Sul, contribuindo para o adensamento teórico-metodológico do campo. Politicamente, trata-se de uma agenda urgente: pensar historicamente as crises climáticas implica reconhecer responsabilidades desiguais, assimetrias globais e formas de violência que atravessam territórios e corpos, ao mesmo tempo em que evidencia práticas de resistência, cuidado e reexistência. Ao enfatizar a dimensão decolonial, o dossiê convida à problematização dos regimes de saber que historicamente silenciaram experiências não hegemônicas, propondo a valorização de outras formas de narrar, conhecer e habitar o mundo. Nesse sentido, pretende-se não apenas analisar processos históricos, mas também intervir criticamente nos modos de produção do conhecimento histórico. Eixos temáticos sugeridos Serão bem-vindas contribuições que dialoguem com, mas não se limitem aos seguintes tópicos: História das migrações em contextos de crise ambiental e climática; Refugiados climáticos e deslocamentos forçados: perspectivas históricas e comparadas; Fronteiras em transformação: mobilidades, controles e regimes de circulação; História ambiental e desigualdades globais; Territórios, conflitos socioambientais e disputas por recursos; Experiências indígenas e tradicionais frente às mudanças climáticas; Saberes locais, cosmologias e epistemologias decoloniais; Memória, narrativa e testemunho em contextos de crise e deslocamento; Urbanização, periferias e vulnerabilidade socioambiental; Infraestruturas, extrativismo e reconfiguração de fronteiras; Gênero, raça e interseccionalidades nas experiências migratórias e ambientais; História pública, audiovisual e formas de comunicação sobre crises climáticas; Universidades de fronteira e internacionalização: práticas, redes e desafios em cenários de crises socioambiental. O dossiê acolherá artigos originais, inéditos, resultantes de pesquisas concluídas ou em estágio avançado, que apresentem consistência teórica, rigor metodológico e contribuição relevante ao campo historiográfico. Serão especialmente valorizadas abordagens interdisciplinares e comparativas, bem como trabalhos que mobilizem fontes inovadoras e/ou dialoguem com comunidades e sujeitos historicamente marginalizados.
Proponentes: Dr. Antonio Marcos Myskiw (UFFS), Dra. Norma Oviedo (FHYCS – UNaM Pousadas, Argentina) e Rogerio Rosa Rodrigues (UDESC)
Encaminhamento de trabalhos até: 05 de outubro de 2026
Avaliação pelos/as pareceristas: 16 de novembro de 2026
Revisão dos trabalhos pelos/as autores/as, com base nos pareceres: dezembro de 2026
Publicação: janeiro 2027












