O feminismo decolonial como perspectiva

Diálogos entre María Lugones, Phoebe Kisubi e a abordagem das capacidades na promoção da autonomia de mulheres imigrantes através da educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36661/1983-4012.2026v19n1.15364

Palavras-chave:

Interseccionalidade , Mulheres Migrantes, Educação Libertadora, Feminismo Decolonial

Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a educação como ferramenta para a autonomização de mulheres migrantes e refugiadas sob as lentes do feminismo decolonial e da interseccionalidade. Essas categorias analíticas são fundamentais para confrontar as lógicas sexistas, heteronormativas e cisnormativas que permeiam a produção de conhecimento em Relações Internacionais, ao mesmo tempo em que destacam as contribuições de autoras como Phoebe Kisubi. Partindo das múltiplas vulnerabilidades  enfrentadas por mulheres migrantes e refugiadas, compreendidas como atravessamentos entre identidade, corpo, território e poder, discutiremos como fatores como barreiras linguísticas, racismo, xenofobia, desigualdades socioeconômicas e violência de gênero são intensificados no contexto do deslocamento forçado (ACNUR, 2025, IACHR, 2018, Human Rights, 2018). Ancora-se na Teoria das Capacidades de Martha Nussbaum, que propõe a ampliação de aptidões essenciais para uma vida digna, este artigo investiga de que maneira a educação, especialmente quando pensada de forma decolonial, pode promover agência, reconhecimento e justiça social. Dialoga-se ainda com Paulo Freire e Amartya Sen, compreendendo a educação como prática de liberdade e como condição para o desenvolvimento humano integral. A partir do aporte teórico de Phoebe Kisubi (2020; 2023) e de pesquisas sobre experiências migratórias no Brasil, discutiremos como pedagogias interseccionais e decoloniais possibilitam o enfrentamento das estruturas de opressão, reconfigurando espaços educativos como territórios de reparação, acolhimento e criação de novas possibilidades de vida. Argumenta-se que, quando articulada às agendas feministas, decoloniais e de direitos humanos, a educação torna-se um instrumento potente para fortalecer a autonomia das mulheres migrantes e refugiadas, contribuindo para a formulação de políticas públicas comprometidas com igualdade, reconhecimento e justiça social.

Biografia do Autor

  • Alana Mendes de Moura, Universidade La Salle

    Bolsista CAPES de Mestrado em Educação pela Universidade La Salle (Canoas/RS), onde desenvolve a dissertação “Educação, Gênero e Migração: possibilidades de autonomia para mulheres imigrantes a partir de uma perspectiva interseccional”. É graduada em Relações Internacionais pela mesma instituição e atua como trabalhadora humanitária

  • Fabrício Pontin, Universidade La Salle

     Pós-doutorado em Filosofia pela PUCRS. Doutor em Filosofia pela Southern Illinois University Carbondale, Mestre em Filosofia e graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUCRS. Professor titular do Programa de Pós-Graduação em Educação e dos cursos de Direito e Relações Internacionais da Universidade La Salle, onde também coordena o Núcleo de Apoio em Relações Internacionais (NARI).

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Publicado

27-07-2026

Como Citar

MENDES DE MOURA, Alana; PONTIN, Fabrício. O feminismo decolonial como perspectiva: Diálogos entre María Lugones, Phoebe Kisubi e a abordagem das capacidades na promoção da autonomia de mulheres imigrantes através da educação. Intuitio, Brasil, v. 19, n. 1, p. 1–16, 2026. DOI: 10.36661/1983-4012.2026v19n1.15364. Disponível em: https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/intuitio/article/view/15364. Acesso em: 28 jul. 2026.