Bioética feminista e necropolítica reprodutiva
uma crítica filosófica à gestão dos corpos e dos direitos reprodutivos de mulheres latino-americanas
DOI:
https://doi.org/10.36661/1983-4012.2026v19n1.15372Keywords:
Autonomia corporal, biopoder, Colonialidade, filosofia feministaAbstract
Este artigo examina como práticas de controle reprodutivo operam como tecnologias de biopoder e, em sua expressão mais radical, de necropolítica reprodutiva, afetando de forma desproporcional mulheres racializadas e vulnerabilizadas. A partir de uma abordagem fundamentada na filosofia feminista, analisam-se os direitos reprodutivos como um campo de disputa política, ontológica e epistêmica, revelando que as violências reprodutivas não constituem episódios isolados, mas expressam mecanismos estruturais de regulação da autonomia corporal, da capacidade reprodutiva e do reconhecimento de determinadas vidas como dignas de proteção. Parte-se de duas hipóteses centrais: (i) a gestão estatal e médico-jurídica da reprodução não apenas regula, mas também hierarquiza vidas com base em gênero, raça e classe; e (ii) a bioética feminista, ao se reorientar a partir das experiências de mulheres vulnerabilizadas, oferece um quadro teórico capaz de desvelar as violências reprodutivas naturalizadas e propor alternativas éticas emancipadoras. Por meio de análise conceitual e revisão bibliográfica crítica, sustenta-se que os direitos reprodutivos não podem ser compreendidos dissociados das estruturas históricas de colonialidade, racismo e desigualdade de gênero. Conclui-se que a bioética feminista constitui um referencial filosófico capaz de articular as dimensões política, ontológica e epistêmica da reprodução, propondo uma crítica às formas contemporâneas de gestão de corpos e afirmando condições éticas para o reconhecimento das mulheres como sujeitos plenos de direitos
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