Fabulação crítica como contraconduta
Saidiya Hartman com e contra Michel Foucault
DOI:
https://doi.org/10.36661/1983-4012.2026v19n1.15362Palavras-chave:
fabulação crítica, arquivos históricos, contracondutas, práticas de liberdadeResumo
Neste artigo, analisamos a fabulação crítica de Saidiya Hartman em diálogo crítico com o pensamento de Michel Foucault, propondo uma aproximação ética e política que ultrapassa a questão do arquivo. Embora ambos os autores partam da impossibilidade de recuperar vidas subalternizadas em seu “estado livre” nos documentos históricos, argumentamos que o gesto de Hartman de fabular o não dito opera como uma forma de contraconduta e de cuidado de si. Para sustentar essa hipótese, recorremos às leituras feministas de Foucault, especialmente às de Margareth Rago e Marilda Ionta, que atualizam a noção de práticas de liberdade. O artigo destaca, centralmente, como a amizade – exemplificada na relação fabulada por Hartman entre duas jovens em Vênus em dois atos – constitui um gesto capaz de criar resistências afetivas diante da violência institucional e das opressões históricas.
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