As Bases Epistêmicas nas Feiras de Ciências e Mostras Científicas em uma Perspectiva do Pensamento Crítico, Intercultural e Decolonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36661/2595-4520.2026v9n2.15492

Palavras-chave:

Interculturalidade, Descolonização , Feiras de Ciências

Resumo

As Feiras de Ciências (FC) e Mostras Científicas (MC) são marcadas por um modelo eurocêntrico de divulgação científica que restringe vozes e saberes de grupos subalternizados. Este ensaio analisa, à luz da Educação Integral, da Descolonização do Saber e da Interculturalidade Crítica, como FC e MC podem se tornar territórios formativos plurais. Inspiram-nos Paulo Freire (1987), Miguel Arroyo (2013), Jaqueline Moll (2012), Vera Candau (2016), Boaventura de Sousa Santos (2010), Bachelard (1991) e Adorno (2003) para defender que a ciência é culturalmente situada e politicamente implicada. Metodologicamente, articulamos revisão bibliográfica com a experiência do Grupo de Pesquisa “Educação Integral na Escola e na Sociedade” (UFRGS), que dialoga com tradições humanistas brasileiras e com epistemologias do Sul. Argumentamos que reorganizar feiras em torno de problemas dos territórios, protagonismo estudantil e diálogo de saberes promove justiça cognitiva. Concluímos que FC e MC, reconfiguradas como processos educativos críticos, podem emancipar estudantes, legitimando conhecimentos populares, quilombolas, indígenas e periféricos e aproximando a ciência da vida cotidiana do seu contexto local.

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Biografia do Autor

  • Marcos Antonio Pinto Ribeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

    Marcos Antonio Pinto Ribeiro é doutorando e mestre em Educação em

    Ciências pela UFRGS e licenciado em Física pela UFRPE, com especialização em Ensino

    de Matemática. Professor de Física da rede pública de Pernambuco, atua na área de

    Educação Científica, com foco em divulgação e popularização da ciência e tecnologia

    educacional. É diretor e fundador do Museu de Ciências Ricardo Ferreira e possui

    experiência em coordenação de projetos, formação docente e consultoria em centros e

    museus de ciência.

  • Carlos Wagner Costa Araújo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

    É doutor em Educação em Ciências pela UFRGS, mestre na mesma área e graduado em História pela UFES, com especialização em Jornalismo e Divulgação Científica (USP). Atua na área de Educação Científica, com ênfase em divulgação e popularização da ciência e tecnologia educacional. Possui experiência em gestão de centros e museus de ciência, docência no ensino superior e formulação de políticas públicas. Destaca-se pela atuação como consultor e assessor em popularização da ciência, incluindo assessoria e consultoria no Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, além de atuação junto à CAPES, CNPq e UNESCO. É sócio fundador do Museu de Ciências Ricardo Ferreira.

  • Roniere dos Santos Fenner, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

    É doutor em Educação em Ciências pela UFRGS, mestre em Educação pela UNISINOS e graduado em Ciências e Química pela UNIJUÍ. É Professor Adjunto da UFRGS (Campus Litoral Norte), atuando na Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza e na pós-graduação (mestrado e doutorado) em Educação em Ciências. Desenvolve pesquisas nas áreas de educação do campo, ensino de ciências e formação de professores.

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Publicado

15-04-2026

Como Citar

RIBEIRO, Marcos Antonio Pinto; ARAÚJO, Carlos Wagner Costa; FENNER, Roniere dos Santos. As Bases Epistêmicas nas Feiras de Ciências e Mostras Científicas em uma Perspectiva do Pensamento Crítico, Intercultural e Decolonial. Revista Insignare Scientia - RIS, Brasil, v. 9, n. 2, p. e15492, 2026. DOI: 10.36661/2595-4520.2026v9n2.15492. Disponível em: https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/RIS/article/view/15492. Acesso em: 18 abr. 2026.