Epistemologias do escurecimento
pensamento de mulheres negras em direção à ética da noite
DOI:
https://doi.org/10.36661/1983-4012.2026v19n1.15309Palavras-chave:
filosofia negra, mulheres negras, escurecimento, esclarecimento, cosmopercepçãoResumo
O trabalho propõe entender e reconhecer o “escurecimento” como operação epistemológica, ética e política forjada, sobretudo, por pensadoras negras. A partir de um relato situado e de um debate teórico que convoca, entre outros autores, Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, Helena Theodoro, Leda Maria Martins, Jota Mombaça, Saidiya Hartman e Zélia Amador de Deus, desloca-se o conhecer do regime ocular do “esclarecimento” para uma cosmopercepção relacional. A metáfora animal (coruja/aranha/galinha-d’angola/jacaré) opera como gramática do desvio: do sobrevoo retrospectivo ao chão das relações; da transparência à opacidade; da evidência à presença por rastro. O artigo articula temporalidades não lineares, protocolos diversificados de presença e uma política do subterrâneo para afirmar uma ética da noite que não nega a visibilidade, mas sabota sua captura. Com isso, redefine-se quem conta como sujeito do saber, o que vale como inteligível e para quem se dirige o discurso e o pensamento, propondo uma incursão filosófica baseada em proximidade, partilha e resguardo.
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