A gramática da violência e a ética da invenção nas trajetórias femininas de liderança
DOI:
https://doi.org/10.36661/1983-4012.2026v19n1.15354Palavras-chave:
assédio moral, violência institucional, micropolítica, cuidado, poderResumo
A violência institucional dirigida às mulheres em posições de liderança não se manifesta como evento excepcional, mas como gramática cotidiana que modela comportamentos, regula afetos e delimita quem pode exercer autoridade no espaço público e organizacional. Assédio moral, microagressões simbólicas e práticas persistentes de desautorização funcionam como dispositivos de normalização que mantêm ativa a racionalidade patriarcal, mesmo em contextos que reivindicam igualdade e meritocracia. Este artigo investiga como essa gramática opera e de que modo mulheres constroem respostas que escapam à lógica disciplinar, elaborando uma ética da invenção: micropolíticas éticas, discretas e relacionais que transformam vulnerabilidade em força, cuidado em método e alianças em estratégia de resistência. Em diálogo com autoras como Audre Lorde, bell hooks, Sara Ahmed, Judith Butler, Donna Haraway e Angela Davis, argumenta-se que a transformação da ferida em linguagem, a criação de redes de solidariedade e a persistência em ocupar posições de liderança constituem práticas inventivas que desestabilizam o regime de violência simbólica. Essa abordagem permite compreender com maior precisão como as instituições produzem subjetividades generificadas e por que determinadas formas de autoridade feminina continuam sujeitas a vigilância ampliada. Com isso, o artigo sustenta que as trajetórias femininas de liderança não apenas evidenciam as contradições das instituições, mas também revelam formas insurgentes de poder capazes de reconfigurar modos de convivência, decisão e produção de sentido no interior das organizações contemporâneas.
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