Hannah Arendt
A banalização da vida humana e a pandemia de COVID-19 no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.36661/1983-4012.2025v18n2.15131Palavras-chave:
Hannah Arendt, Banalidade do Mal, pandemia, Mal Banal, políticaResumo
A pandemia de COVID-19 trouxe ao Brasil uma nova realidade e, com ela, a necessidade de discutir novos problemas éticos e jurídicos. Nesse sentido, pode-se perguntar se há (ou pode haver) relação entre a realidade brasileira durante a crise sanitária da COVID-19 no Brasil e a “banalidade do mal”. Isto é, perguntar o que é mais importante: salvar vidas ou a economia do país? Preservar o direito à vida ou às liberdades individuais? Com o sistema de saúde saturado, sem leitos para todos os casos graves da doença, seria ético escolher quem teria direito a um leito de UTI, se um jovem ou um idoso? A expressão referente à “banalidade do mal” encontra-se no livro Eichmann em Jerusalém (1963), de Hannah Arendt (1906-1975), obra em que a autora discute a questão do “mal banal”. Este tema será comparado com alguns fatos ocorridos durante a pandemia. Ou seja, no contexto de escassez de recursos vividos durante a crise sanitária, será abordada a importância da responsabilidade de um indivíduo sobre a vida de outros, não como vidas que não mereçam ser vividas, mas como seus iguais em direito à vida e à saúde. A concepção de banalidade do mal, em Arendt, está relacionada à ausência do pensar, a algo que permita que um indivíduo “normal” pratique (ou apoie) ações sem, necessariamente, querer, sentir prazer ou lucrar com o sofrimento alheio, mas que, por seus resultados, são más. Esse mal surge da ausência da capacidade de um indivíduo para estabelecer uma relação silenciosa consigo mesmo, o que é algo imprescindível ao ato de pensar. No texto, busca-se analisar a responsabilidade de cada um na vida em comum de uma mesma comunidade, a partir da perspectiva arendtiana.
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