Dossiê n. 38 - 2021/02 – " Infâncias, Direitos e vulnerabilidades"

20-12-2020

Em meio aos debates da chamada Nova República, nos anos 1980, concebeu-se no Brasil a vinculação entre infâncias e vulnerabilidades como uma chave de leitura social analítica e militante. Naquele momento, conforme se entendia, os principais elementos a vulnerabilizar a infância resultavam da situação socioeconômica de suas famílias. Elo mais frágil da corrente social, a infância pobre reclamava esforços prioritários na supressão de suas demandas, as de cunho histórico e as que se desenhavam no presente que se constituía. Inspirados pelo espírito pró-democracia da época, movimentos sociais e entidades de defesa e proteção reivindicavam os direitos das crianças não apenas pelos adultos que seriam, mas pelos sujeitos que eram. Em virtude da permanência histórica das violências estruturais na fragilização das infâncias pobres brasileiras, mas também, da atenção dispensada atualmente às demandas de outras infâncias, como aquelas das classes privilegiadas, resulta a vigência desta perspectiva, a vincular infâncias e vulnerabilidades. Como população tutelada, as infâncias são vulneráveis dadas as suas condições desiguais de acessar oportunidades, pelo ainda não pleno desenvolvimento de suas capacidades emocionais, materiais, civis etc. Em razão desta condição peculiar, crianças são frequentes vítimas de privações e violências a cargo de indivíduos, coletivos e/ou estruturas. Com adultos, jovens ou entre si, as crianças compartilham o protagonismo de relações de poder desiguais, as quais julgamos necessário conhecer em profundidade. O presente  dossiê pretende reunir trabalhos que versem, em perspectiva histórica, sobre experiências, modos de ver e pensar as infâncias, em suas relações com os direitos inerentes a esta fase da vida, bem como às vulnerabilidades a que estão submetidas, igualmente em razão da sua condição de sujeitos em desenvolvimento. Os marcos temporais dos trabalhos devem abarcar o tempo presente, as questões socialmente vivas ou os estratos de tempo que se situam entre o passado e o presente da realidade brasileira.

 

Proponentes:  Profa. Dra. Camila Serafim Daminelli  (UDESC) e Profa. Dra. Elisangela da Silva Machieski (UENP)

Encaminhamento de trabalhos: até 30 de agosto de 2021.

Avaliação pelos/as pareceristas: setembro e outubro de 2021.

Revisão dos trabalhos pelos/as autores/as, com base nos pareceres:  até 10 de novembro de 2021.

Publicação: até dezembro de 2021.

Diretrizes para submissão: https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/FRCH/about/submissions