Feminismos materiais
uma outra terceira onda feminista
DOI:
https://doi.org/10.36661/1983-4012.2026v19n1.15376Palavras-chave:
feminismos materiais, filosofia feminista, estudos da ciência e da tecnologia, desreguladores endócrinosResumo
Este artigo parte de um gesto especulativo: imaginar como seria uma terceira onda feminista resultante da linhagem dos Estudos Feministas da Ciência e da Tecnologia (EFCT), que surgiram nos anos 1970. Utilizando o nome “Feminismos Materiais”, sugerido por Stacy Alaimo e Susan Hekman, agrupamos uma série de tendências da teoria feminista, tanto mais antigas quanto contemporâneas, que enfatizam as conexões entre o material e o semiótico e se engajam profundamente com as práticas de produção de conhecimento. Neste trabalho, apresentamos em que consistem esses Feminismos Materiais, utilizando como principal exemplo a teoria filosófica do realismo agencial, concebida por Karen Barad, mas também o feminismo transcorpóreo de Stacy Alaimo, assim como contribuições de outras autoras. Em seguida, nos aprofundamos no tema da toxicidade e da contaminação ambiental, tópicos importantes dos Feminismos Materiais por se tratar de um espaço teórico em que se torna visível a dissolução das distinções entre sujeito e objeto, matéria e discurso, corpo e ambiente, e natureza e cultura. Em especial, nos focamos no fenômeno dos desreguladores endócrinos e seus efeitos transcorpóreos. Com os Feminismos Materiais, pretendemos avançar uma proposição teórica e política em sintonia com as transformações ecológicas e sociais do presente.
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