DA MOBILIDADE POR BICICLETA À CICLOMOBILIDADE
uma proposta epistemológica e taxonômica para o Brasil
DOI:
https://doi.org/10.36661/2448-1092.2026v18n28.14954Palavras-chave:
ciclomobilidade, epistemologia, taxonomia, sistemas sociotécnicos, planejamento urbanoResumo
Este artigo realiza uma revisão teórico-conceitual da mobilidade por bicicletas no Brasil, examinando a formação desse campo de estudo, a polissemia terminológica e as disputas discursivas em torno do tema. Por meio de análises etimológica e histórica, articuladas a referenciais da arqueologia do saber, demonstra-se que a adoção dos radicais ciclo- e bici- nos países lusófonos gerou uma proliferação de termos, como ciclomobilidade, ciclabilidade e cicloviário, sem definições e distinções precisas. A pesquisa bibliométrica analisou 154 referências (62 artigos, 78 trabalhos acadêmicos e 14 planos municipais), catalogadas nas plataformas SciELO Brasil, Periódicos da Capes e Mobilidados entre 2014 e 2024. A amostra revelou que a diversidade terminológica da literatura nacional decorre de traduções estrangeiras literais, práticas sociais e cicloativismo, cujas contribuições não suprem a persistente lacuna teórico-conceitual do campo. Os resultados indicam o predomínio de uma linguagem técnico-normativa centrada na infraestrutura, que negligencia dimensões científicas, políticas, sociais, culturais e tecnológicas. Mediante uma abordagem taxonômica, propõe-se organizar, desenvolver e validar o saber da mobilidade por bicicletas no Brasil. Conclui-se que cidades mais cicláveis, sustentáveis e justas dependem da consolidação da Ciclomobilidade como categoria epistemológica e sistema sociotécnico complexo, integrando indissociavelmente hardware, software e orgware à gestão do território urbano.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Mariana Fernandes Mendes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
CIDADES está licenciada sob a licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. A revista não promoverá nenhuma forma de remuneração por direitos autorais e os autores e autoras, ao submeterem seus textos, confirmam ciência sobre sua divulgação em acesso aberto. De igual modo, CIDADES não cobrará dos autores e autoras quaisquer taxas de publicação ou revisão. Os autores e autoras são detentores dos direitos autorais dos textos publicados na revista.








