Medicina e Sofrimento Mental

Análise sob a perspectiva da Atenção Básica

  • Lara Ribeiro Cruz Universidade Federal da Fronteira Sul

Resumo

Introdução A conduta dos profissionais da Atenção Básica (AB) nos casos de sofrimento mental conta com diversos dispositivos de cuidados que vão para além da prescrição de medicamentos. Objetivo Compreender os significados da produção do cuidado para o sofrimento mental atribuídos por médicos da AB em Chapecó. Metodologia Estudo exploratório, qualitativo, em que os sujeitos de pesquisa foram sete médicos atuantes em quatro Centros de Saúde da Família (CSF), dois que mais prescreveram psicotrópicos e dois que menos prescreveram, no período de abril à junho de 2016. Os dados foram coletados através de entrevistas semi-estruturadas, e o material foi transcrito e analisado com base em Bardin. O Projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Chapecó, por meio do parecer 1.647.056 de 2016. Resultados e Discussão No que tange ao acolhimento, os médicos afirmam ouvir o paciente no sentido de identificar e entender as queixas. O pouco tempo de consulta foi mencionado como um fator  impedidor de um acolhimento adequado. Alguns relataram que prescrevem fármacos na primeira consulta ou encaminham ao psicólogo e/ou ao psiquiatra, quando a queixa é relacionada ao sofrimento ou à transtornos mentais e ideação suicida. No quesito Redes de Atenção à Saúde (RAS), a maioria relatou deficiências no apoio, bem como demora no atendimento devido a alta demanda. A inexistência de grupos de saúde mental com os usuários do CSF também foi mencionado como fator negativo.  O matriciamento com CAPS se mostra efetivo em algumas unidades, mas ainda é um aporte deficitário para a maioria dos CSF. Já no quesito vínculo, a rotatividade de profissionais foi apontada como a maior fragilidade. Informações ausentes ou incompletas nos prontuários também foram referidas como problemas. Alguns profissionais disseram prescrever psicotrópicos só depois de acolher e encaminhar o paciente. Outros iniciam a prescrição na primeira consulta e vão tentando, de modo empírico, uma terapêutica que pareça mais adequada. Há casos de pacientes que já usavam psicotrópicos quando o profissional começou a trabalhar no CSF e estão “viciados” no fármaco, o que dificulta a retirada ou diminuição das doses. Na categoria longitudinalidade, os médicos referiram que solicitam retornos frequentes aos usuários, tanto para reavaliação quanto para renovação de receitas. No quesito diagnóstico, os principais sinais e sintomas observados durante a consulta são: choro, incapacidade de realizar atividades diárias, insônia e perda de prazer nos momentos da rotina. Há também o rastreamento de doenças orgânicas, como hipotiroedismo e anemia e um cuidado maior com pacientes que usam lítio. Por fim, na categoria formação, a maioria dos profissionais entrevistados tem pouco tempo de formação e relatam que a graduação foi deficiente no que tange ao sofrimento mental. Conclusão Para os médicos, a abordagem do sofrimento mental exige acolhimento e escuta com vistas a propiciar um cuidado efetivo. No entanto, a terapêutica predominante é medicamentosa, há um pequeno aporte oferecido pela RAS e a graduação é vista como insuficiente para promover o cuidado ideal.
Publicado
13-06-2018
Como Citar
CRUZ, Lara Ribeiro. Medicina e Sofrimento Mental. I Simpósio de Urgências e Emergências e II Semana Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul, [S.l.], v. 1, n. 1, jun. 2018. Disponível em: <https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/SUE/article/view/7912>. Acesso em: 19 jan. 2019.