DOI: 10.36661/2595-4520.2026v9n1.14369

Recebido em: 21/04/2024

Aceito em: 10/03/2026

 

Educação do Campo e Formação docente em Matemática: discussões no cenário nacional a partir de pesquisas de Pós-Graduação

 Countryside Education and Teacher Training in Mathematics: discussions on the national scene based on postgraduate research

Educación de Campo y Formación docente en Matemáticas: debates sobre el escenario nacional a partir de investigaciones de posgrado

 

Carlos Daniel Raminelli (daniraminelli14@gmail.com)

Universidade Federal de Santa Maria, Brasil

https://orcid.org/0000-0002-6251-2381

 

Fabiane Cristina Höpner Noguti (fabiane.noguti@ufsm.br)

Universidade Federal de Santa Maria, Brasil

https://orcid.org/0000-0001-6191-7232

 

Resumo

O presente artigo tem como objetivo apresentar um mapeamento e analisar trabalhos que compõem um levantamento com as temáticas da Educação do Campo e Formação de Professores com foco na habilitação em Matemática. Para o desenvolver desse trabalho são usadas as fundamentações teóricas baseadas na Educação do Campo e Formação de Professores, conjuntamente com a diferença entre os ideários educacionais da Educação Rural e a Educação do Campo. O corpus da pesquisa é composto por trabalhos pesquisados na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Com o corpus formado por 10 arquivos e fichamentos baseados nos estudos de Fiorentini, Passos e Lima (2016), o presente artigo busca relatar algumas características dos arquivos através das perspectivas metodológicas e teóricas utilizadas. A respeito das considerações finais é possível observar nos trabalhos uma preocupação com a qualidade de formação dos profissionais que buscam o curso de Licenciatura em Educação do Campo, se estendendo também a habilitação daqueles que lecionam a disciplina de Matemática.

Palavras-chave: Educação do Campo; Formação docente; Mapeamento; Educação Matemática.

 

Abstract

The present article has as a purpose to present a mapping and analysis of works through a survey with the theme of Countryside Education and teacher training, focusing on qualification in Mathematics, in master's and doctoral works elaborated in the Brazilian national scenario. To develop this article, theoretical foundations based on Countryside Education and teacher training are used, together with the difference between the educational ideas of Rural Education and Countryside Education. The research corpus is composed of works researched from the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD) and the Theses and Dissertations Catalog of the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (CAPES). With the corpus formed by 10 files and records based on studies by Fiorentini, Passos and Lima (2016), this article seeks to report some characteristics of the archives through the methodological and theoretical perspective used. Regarding the final considerations, it is possible to observe in the works analyzed a concern with the quality of training of professionals who seek the Licentiate in Countryside Education course, also extending to the qualification of those who teach Mathematics.

 

Keywords: Countryside Education; Teacher Training; Mapping; Mathematics Education.

 

Resumen

El presente artículo tiene como objetivo presentar un mapeo y análisis de trabajos a través de una encuesta con el tema de Educación Rural y formación de profesores, con foco en la calificación en Matemática, en investigación de maestría y doctorado elaborados en el escenario nacional brasileño. Para desarrollar este artículo se utilizan fundamentos teóricos basados en la Educación de Campo y la formación docente, junto con la diferencia entre las ideas educativas de Educación Rural y Educación de Campo. El corpus de investigación está compuesto por trabajos investigados en la Biblioteca Digital Brasileña de Tesis y Disertaciones (BDTD) y en el Catálogo de Tesis y Disertaciones de la Coordinación de Perfeccionamiento del Personal de Educación Superior (CAPES). Con el corpus formado por 10 obras y registros basados en estudios de Fiorentini, Passos y Lima (2016), este artículo busca relatar algunas características de los archivos a través de la perspectiva metodológica y teórica utilizada. En cuanto a las consideraciones finales, es posible observar en los trabajos analizados una preocupación con la calidad de la formación de los profesionales que aspiran a la carrera de Licenciatura en Educación de Campo, extendiéndose también a la calificación de quienes enseñan la disciplina de Matemáticas.

Palabras-clave: Educación de Campo; Formación docente; Cartografía; Educación matemática

INTRODUÇÃO

As pesquisas em diversos níveis acadêmicos se tornam um importante termômetro para identificarmos as produções e os avanços dispostos em nosso território, fazendo assim um reconhecimento das conjunturas nacionais sobre os estudos teóricos em um assunto específico. Com base nisso, o presente artigo busca discorrer, apresentar e mapear a concepção do ideário educacional da Educação do Campo e as abordagens teóricas e metodológicas encontradas em trabalhos acadêmicos brasileiros que envolvam a temática, relacionadas com a formação de docentes, com foco aos que atuam com a disciplina de Matemática. Em suma, é destacado que o artigo tem como um de seus pilares discutir através do referencial teórico que a tentativa pelo entendimento da realidade dos alunos presentes dentro do ambiente escolar do campo é necessária, e que a concepção errônea entre Educação do Campo e Educação Rural traz prejuízos a uma realidade que comporte as vivências do estudante. Além disso, pode-se dizer que:

Se os padrões característicos do comportamento dos professores são realmente uma função de seus pontos de vista, crenças e preferências sobre o conteúdo e seu ensino, então qualquer esforço para melhorar a qualidade do ensino de matemática deve começar por uma compreensão das concepções sustentadas pelos professores e pelo modo como estas estão relacionadas com sua prática pedagógica. (Thompson, 1997, p. 14).

Nesse âmbito, ressaltamos que a preocupação da formação dos professores de Matemática em escolas do campo se torna irrefutável, em virtude deles, serem os responsáveis pelas abordagens dos currículos desses ambientes e de certa forma, demandarem conhecimento da realidade vivenciada nessas comunidades. Mediante o exposto, o objetivo geral do trabalho é determinar um panorama acadêmico de produções científicas sobre o tópico da formação de professores que atuam na Educação do Campo, em específico os futuros profissionais que serão habilitados com a disciplina de Matemática. Dito isso, buscando responder à proposta de mapeamento desse trabalho, foi pensada uma divisão para a construção deste artigo. Posto isso, na primeira parte abordamos a importância e relevância do assunto escolhido, na sequência enfatizamos os estudos para a compreensão de Educação do Campo e Educação Rural e de como elas são constituídas. A posteriori, discorremos sobre a formação de professores. Por conseguinte, apresentamos os caminhos metodológicos utilizados para o seu desenvolvimento, seguido dos resultados dos mapeamentos realizados, com discussão de alguns aspectos metodológicos e teóricos apresentados no decorrer da análise. Consecutivamente, as considerações finais sobre o mapeamento realizado buscando apresentar os resultados encontrados e as conjecturas provenientes do mesmo. Para finalizar, as referências utilizadas ao longo da escrita.

CONHECENDO A EDUCAÇÃO DO CAMPO E A EDUCAÇÃO RURAL

No que tange às discussões em relação a Educação do Campo e Educação Rural, precisamos entender primeiramente o surgimento de ambas, assim como a ligação presente entre elas. Com isso, vale ressaltarmos que o surgimento do conceito de Educação do Campo é recente, haja vista que o mesmo foi inserido a pouco nos cenários educacionais, assim como nas discussões decorrentes. Corroborando com essa argumentação, de acordo com Torres e Simões (2009, p. 01), “O termo Educação do Campo remete a um conceito recente no ideário educacional, pois, até uma década atrás, o que havia era a nomenclatura Educação Rural”. Vale ressaltar ainda que, a Educação do Campo abarca um ensino envolvendo adultos, jovens e crianças que vivem no campo. (Silva; Lopes; Silva, 2024). Em vista disso, observando a juventude presente nessas questões, precisamos conceber como esse conceito educacional chegou até as concepções atuais. Sendo assim, podemos compreender que a Educação do Campo aborda uma luta pelos direitos à educação, já que de acordo com Molina e Freitas (2011, p. 02) “[...] os movimentos sociais e sindicais rurais organizaram-se e desencadearam um processo nacional de luta pela garantia de seus direitos, articulando as exigências do direito à terra com as lutas pelo direito à educação”. Desta forma, vislumbramos que o surgimento desse ideário educacional, Educação do Campo, vai além de questões de nomenclatura e sim, pela reivindicação de direitos e de suas especificidades, através de uma educação de qualidade. Mais ainda, se faz necessário entendermos como os próprios órgãos que direcionam a educação no Brasil, compreendem a Educação do Campo. Dessa forma, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (DCN) em seu artigo 38, que afirmam:

A Educação do Campo, tratada como educação rural na legislação brasileira, incorpora os espaços da floresta, da pecuária, das minas e da agricultura e se estende, também, aos espaços pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas, conforme as Diretrizes para a Educação Básica do Campo (Parecer CNE/CEB nº 36/2001 e Resolução CNE/CEB nº 1/2002; Parecer CNE/CEB nº 3/2008 e Resolução CNE/CEB nº 2/2008). (Brasil, 2013, p. 139)

Porquanto, é possível observarmos que a Educação do Campo, possui amparos legais, mas que a mesma é tratada como sendo uma Educação Rural, o que de certa forma fere a preservação da história por detrás das lutas impostas pelo direito a educação e também do próprio surgimento da mesma. Dessa maneira, é necessário interpretarmos que ambos são conceitos diferentes e que possuem peculiaridades. Para isso, temos que:

A Educação do Campo não é continuidade da Educação Rural e apesar de todas as “iniciativas” para a manutenção de escolas nas zonas rurais, em um olhar de conotação histórica, muitos sujeitos residentes em zonas rurais, afastam-se da educação ali sistematizada por diversos fatores, como má qualidade, falta de professores e falta de recursos. Distinguir estes conceitos é relevante, uma vez que a Educação Rural e a Educação do Campo são concepções educacionais diferentes. (Torres; Simões, 2009, p. 02).

Em suma, se faz necessário então definirmos que a Educação do Campo, surge por necessidade e não apenas por uma mudança de nomenclatura, uma vez que a mesma se manifesta com a tentativa de suprir uma educação de má qualidade que não valorizava os estudantes presentes nos ambientes rurais. Para isso, é possível observar que:

A emergência da educação do campo caracteriza-se pela ausência e experiência. É a ausência de escola, de professor com formação consistente para o trabalho nas escolas localizadas nos assentamentos; ausência de técnico-agrícola; ausência de professores. (Souza, 2008, p. 08).

Ademais, é possível apreciarmos a ideia de que a Educação Rural é a forma de dissociar a realidade com o ambiente escolar, uma vez que pode ser apresentada como desconexa com as práticas e sem necessidade de compreensão das vivências por parte do aluno ou até mesmo da comunidade escolar. Para isso, entendemos então que a Educação Rural:

Trata-se dos camponeses, ou seja, daqueles que residem e trabalham nas zonas rurais e recebem os menores rendimentos por seu trabalho. Para estes sujeitos, quando existe uma escola na área onde vivem, é oferecida uma educação na mesma modalidade da que é oferecida às populações que residem e trabalham nas áreas urbanas, não havendo, de acordo com os autores, nenhuma tentativa de adequar a escola rural às características dos camponeses ou dos seus filhos, quando estes a frequentam. (Ribeiro, 2012, p. 293).

Em síntese, é possível afirmarmos que a Educação do Campo é aquela educação presente nas escolas rurais, que está levando professores capacitados a corroborar com as necessidades presentes no ambiente e que comportem as realidades vivenciadas por todo, utilizando de conhecimentos muitas vezes elencados pelos estudantes (Cunha; Amaral; Dinardi, 2024). Todavia, a Educação Rural, parte do princípio que a inserção desses alunos no ambiente escolar, sem a necessidade de incorporar as vivências, já desempenha o seu papel educacional. Dado o que foi exposto, ainda inferimos a necessidade de discutirmos a dualidade presente em ambos, Educação do Campo e Educação Rural, através da obra de Schwendler, citado em Torres e Simões (2009).  Conseguimos compreender a origem da Educação Rural a partir do século XX, influenciada pelo pensamento latifundiário empresarial, com o objetivo de preparação para o trabalho no desenvolvimento da agricultura, como marco inicial, Schwendler destaca o ano de 1923, com o I Congresso de agricultura do Nordeste. Pelo outro lado, a Educação do Campo possui origem a partir da luta e articulação dos movimentos sociais, e sua disseminação sofre influência do I Encontro de Educadores da Reforma Agrária (1998) e da I Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo (1998).

Com isso, através do Programa Nacional da Educação na Reforma Agrária, de 1998, segundo Souza (2008, p. 09) “[...] demonstra o fortalecimento da educação do campo na política educacional; demonstra a força dos movimentos sociais, conquistada pelo acúmulo de experiências e conhecimentos na área”. Sendo assim, se torna perceptível que a preservação do indivíduo e uma educação de qualidade, só se fizeram presentes em uma conjuntura educacional pelos movimentos sociais. Ainda, é possível buscarmos a diferenciação na concepção de campo, segundo Torres e Simões (2009), a Educação Rural possui uma visão de um espaço de produção econômica, a partir dos interesses do capital e ainda, exclui os que não se incluem na lógica da produtividade. Enquanto para a Educação do Campo o campo é espaço de vida e resistência dos camponeses que lutam para terem acesso e permanecerem na terra, sendo um local de produção material e simbólica das condições de existência de construção de identidades.

Corroborando com as diferenciações entre Educação Rural e Educação do Campo, é possível elencar mais uma síntese que representa a dualidade presente na concepção de educação, apresentado por Torres e Simões (2009). Na qual temos que, a Educação Rural entende a Educação como definida pelas necessidades do mercado de trabalho, pensada a partir do mundo urbano e retrata o campo a partir do olhar do capital e seus sujeitos de forma estereotipada, inferiorizada. No que tange a Educação do Campo e a sua visão sobre a educação, podemos entender como sendo construída pelos e com os sujeitos do campo, uma formação humana, como direito e pensada a partir da especificidade e do contexto.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA

A preocupação com a Formação de Professores é um assunto amplo, uma vez que as discussões podem partir de diferentes manifestações, como ressalta Lopes (2018), mas que acabam se entrelaçando no fazer pedagógico, envolvendo intrinsecamente o ensino e a aprendizagem. Partindo desse pressuposto e da necessidade de uma atividade pedagógica correspondente com o ambiente escolar trabalhado pelo professor discutimos nessa seção alguns tópicos relevantes ao assunto deste trabalho, pela necessidade do professor atuante na Educação do Campo possuir a formação adequada e os conhecimentos prévios sobre o ambiente em questão ao qual será inserido. Pensando nas implicações que a formação do professor possui dentro do ambiente escolar, precisamos elucidar que Lopes (2018, p. 108) compreende “[...] a educação como um processo que mobiliza a personalidade integral do ser humano como sujeito social e histórico”. Dessa forma, interpretamos que a constituição do ser professor não é estática e sim, o mesmo aprende a ser. Com isso, as práticas pedagógicas decorrentes da sua constituição e formação profissional, irão influenciar diretamente o ensino abordado dentro do ambiente escolar.

Ainda, que segundo Fiorentini “O modo de ensinar sofre influência também dos valores e das finalidades que o professor atribui ao ensino da matemática, da forma como concebe a relação professor-aluno e, além disso, da visão que tem de mundo, de sociedade e de homem” (1995, p. 04). Ou seja, além das práticas pedagógicas internalizadas pelo professor, o modo de ensinar também é afetado pelas próprias concepções teóricas do conteúdo e das relações vigentes dentro do ambiente escolar. A discussão se torna necessária, principalmente ao olharmos para a formação do professor atuante na Educação do Campo refletindo também nas suas práticas pedagógicas e isso corroborando diretamente a uma perspectiva de ensino que aborde a realidade dos alunos presentes no ambiente escolar.

Dado o exposto, entendendo que o comportamento do professor e as suas concepções de Matemática também influenciam o ensino no ambiente escolar, se faz necessário visualizarmos tais modos de ver e conceber o ensino da matemática. Nesse sentido, olhando para a Educação do Campo e o ensino voltado para essa realidade é necessário constatarmos as concepções de tais profissionais e isso, pode ser vislumbrado através da formação do professor. Quando pensado na Educação do Campo os sujeitos da comunidade estão diretamente envolvidos no decorrer dessas formações. Com isso, faz-se necessário olharmos também para:

O comprometimento de quem ensina matemática com a aprendizagem do seu aluno expressa-se na intencionalidade de suas ações, voltadas a transformar o ensino em atividade de aprendizagem para o aluno, tendo o conhecimento teórico como referência no processo de humanização. (Lopes, 2018, p. 125).

Em virtude disto, o professor é o sujeito que humaniza o ensino, consequentemente, nas suas práticas pedagógicas, caso contrário, o ensino fica desconexo com a realidade do indivíduo inserido no ambiente escolar, uma das preocupações deste trabalho. Precisamos ter em vista que olhando para a Formação de Professores, em especial os que atuam na disciplina de Matemática, é necessário buscar indícios da concepção de Educação do Campo no processo formativo.

PERCURSO METODOLÓGICO

Segundo Zanella (2013), este trabalho classifica-se como qualitativo, em que sua principal preocupação está em “[...] conhecer a realidade, [...], sem medir ou utilizar elementos estatísticos para análise dos dados”. Quanto à caracterização dos procedimentos, utilizamos a pesquisa bibliográfica, uma vez que será realizado o mapeamento de trabalhos de mestrado e doutorado, sobre um tema específico, sendo nesse corpus a Educação do Campo, juntamente com outras características, como a Formação de Professores, com foco principal aos que se habilitam na disciplina de Matemática. Destacamos ainda que:

[…] mapeamento da pesquisa como um processo sistemático de levantamento e descrição de informações acerca das pesquisas produzidas sobre um campo específico de estudo, abrangendo um determinado espaço (lugar) e período de tempo. Essas informações dizem respeito aos aspectos físicos dessa produção (descrevendo onde, quando e quantos estudos foram produzidos ao longo do período e quem foram os autores e participantes dessa produção), bem como aos seus aspectos teórico-metodológicos e temáticos. (Fiorentini; Passos; Lima, 2016, p. 18).

Portanto, para a sequência e desenvolvimento do trabalho, foi necessário a definição das palavras-chave que seriam o ponto de partida para a realização do mapeamento que ocorreu na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD)[1] e na Plataforma de Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes)[2]. Sendo assim, após uma meticulosa discussão e diversas tentativas para a definição das palavras, o presente mapeamento foi desenvolvido sob as buscas dos descritores “educação do campo” AND “matemática” AND “licenciatura”. Em síntese, o uso de tais descritores pode ser explicado pelo seguinte princípio, a Educação do Campo é o conceito que serviu de tema gerador da pesquisa, enquanto os descritores de Matemática e Licenciatura, serviram na tentativa de delimitação de trabalhos, na esperança de exclusão daqueles que desenvolvessem aplicações de atividades na Educação Básica e que não envolvessem de alguma forma a Matemática em seu contexto, uma vez que o trabalho se preocupa com a formação de docentes. Dito isso, na busca realizada encontramos os resultados dispostos no Quadro 1.

Quadro 1 - Resultados obtidos nas buscas realizadas nas plataformas.

Plataforma

Tese

Dissertações

Em comum

Total

BDTD

10

11

6

21*

Capes

9

12

21

Fonte: Dados da Pesquisa (2023).

Enfatizamos, que o símbolo “*” apresentado no quadro 1, se refere a uma repetição de trabalho na plataforma BDTD. Com isso, retirando a repetição e os seis em comuns dispostos em ambas as plataformas, restaram 35 trabalhos. Por consequência, para serem analisados os arquivos, necessitamos estabelecer critérios de exclusão, para que fosse identificado os aspectos que o presente artigo se propõe a discorrer.

Dessa maneira, os seguintes critérios de exclusão de trabalhos foram definidos, sendo o primeiro deles, pesquisas que tem como foco resultados desenvolvidos na Educação Básica, com isso foram excluídos quatro trabalhos, dentre os 35. Outro critério utilizado foi a ausência de tópicos que abordassem a formação do professor de Matemática, formação do professor, professor formador, no trabalho, assim sendo excluído dois artigos;.  Outro ponto foi a exclusão de trabalhos que não possuem foco ou referência em Matemática, assim fazendo a exclusão de 13 pesquisas. Também, foi estabelecido o critério de não fazer menção a Educação do Campo, assim retirando quatro trabalhos para a realização da análise. O último ponto de exclusão foi não possuir divulgação autorizada e/ou não ter acesso digital ao trabalho, finalizando com a remoção de dois trabalhos. Finalizando, 25 trabalhos foram retirados, com o estabelecimento dos critérios de eliminação. Resultando dessa forma, em 10 trabalhos restantes, que compõem o corpus deste estudo. Em vista disso, abaixo segue a sistematização de todos os resultados encontrados (Quadro 2) com os títulos dos trabalhos mapeados, autores (as), orientadores (as), Instituições de Ensino Superior (IES), tipos de trabalho acadêmico: tese (T) ou dissertação (D), ano de defesa e Programa de Pós-Graduação (PPG) em que foi desenvolvido.

Quadro 2 - Organização dos trabalhos analisados.

Título

Autor

Orientador

IES

T/D

Ano

PPG

Uma investigação sobre a licenciatura da Educação do Campo habilitação em Matemática tratada com base na educação popular

Alberto Luiz Pereira da Costa

Maria Raquel Miotto Morelatti

Unesp

T

2018

Educação

A formação de professores e professoras no curso de Licenciatura em Educação do Campo/UFBA: área de Ciências da Natureza e Matemática

Maria Bernadete de Melo Cunha

José Luis De P. B. Silva

UFBA/UEFS

T

2014

Ensino, Filosofia e História das Ciências

Práticas de letramento de professores de matemática em formação na licenciatura em educação do campo

Fernando Luis Pereira Fernandes

Maria Do Carmo De Sousa

UFSCar

T

2019

Educação

Em questão: os processos investigativos na formação inicial de educadores do campo – área de Ciências da Natureza e Matemática

Thais Gabriella Reinert da Silva Hudler

Sylvia Regina Pedrosa Maestrelli

UFSC

D

2015

Educação Científica e Tecnológica

A relação entre conteúdos matemáticos e o campesinato na formação de professores de matemática em cursos de licenciatura em educação do campo

Aldinete Silvino de Lima

Iranete Maria Da Silva Lima

UFPE

T

2018

Educação Matemática e Tecnológica

Tornar-se professor do campo: Representações Sociais em Movimento em uma Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Matemática

Gleice Aparecida de Moraes Lima

Filipe Santos Fernandes

UFMG

D

2021

Educação: Conhecimento e Inclusão Social

Ensino de Matemática na Educação do Campo: um estudo de caso no curso Procampo-URCA

Samya de Oliveira Lima

Marcus Bessa De Menezes

UEPB

D

2017

Ensino de Ciências e Educação Matemática

Contribuições dos projetos pedagógicos dos cursos de Educação do Campo do Brasil para a licenciatura em matemática do Timor-Leste

Lino Verdial do Rosário

Iran Abreu Mendes

UFPA

T

2017

Educação em Ciências e Matemática

Educação Matemática nos cursos de licenciatura em educação do campo no Rio Grande do Sul: diálogos com professores formadores

Maluza Goncalves dos Santos

Liane Teresinha Wendling Roos

UFSM

D

2017

Educação Matemática e Ensino de Física

Licenciatura em Educação do Campo: propostas em disputa na perspectiva de estudantes do Curso de Matemática da UFMG

Josinalva Rodrigues Sá

Maria Da Conceição Ferreira Reis Fonseca

UFMG

D

2016

Educação: Conhecimento e Inclusão Social

Fonte: Dados da Pesquisa (2023).

Vale destacar que os dados apresentados no Quadro 2 foram sistematizados após realizarmos a análise preliminar, com base na leitura dos títulos, palavras-chave e resumos, através dos critérios de exclusão previamente estabelecidos. Com base nestes dados, apresentamos as análises na próxima seção.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a seleção dos trabalhos foram realizados os fichamentos individuais que buscavam dados sobre as metodologias utilizadas nas pesquisas, problemática, objetivos, instrumento de coleta de dados, além de outros aspectos metodológicos e características teóricas apresentadas. É de referirmos, que a parte de apresentação de aspectos metodológico foi pautada nas descrições expostas pelos autores responsáveis por cada trabalho que compõe esse mapeamento. Sendo assim, no que se refere ao aspecto da problemática e a sua explicitação na apresentação da análise, observamos que todos os trabalhos foram elucidados como sendo oriundos de alguma experiência vivenciada pelo pesquisador, seja de uma trajetória pessoal, da preocupação com docentes atuantes no campo ou das experiências acadêmicas, sejam elas desenvolvidas no estágio, quando atuavam em uma escola do campo, ou até mesmo em um projeto no campo, entre outras. Com isso, podemos discorrer sobre os aspectos das próprias questões investigativas, na qual vislumbramos que os trabalhos em sua grande maioria realizaram a descrição da sua questão investigativa, nove dentre os dez, sendo essa apresentada na forma de questionamento, ou seja, uma pergunta com o propósito de ser respondida ao final da pesquisa. No que concerne aos objetivos analisados no corpus desse mapeamento, conseguimos destacar que todos os trabalhos possuem expostos. Para os procedimentos metodológicos e a abordagem utilizada para os trabalhos, temos a predominância da pesquisa com a abordagem qualitativa, sendo nove dos dez trabalhos que compõe o corpus analisado, identificada pelo fato dos trabalhos se proporem a compreender e analisar processos formativos e concepções de matemática e a relação com a Educação do Campo, ou seja, um fenômeno de proximidade das produções de dados qualitativos. Enquanto uma foi classificada como sendo quali-quanti, sendo essa classificação determinada no texto do trabalho analisado. Podemos observar que dentre os trabalhos componentes nesse mapeamento é possível identificar uma perspectiva prática, uma vez que se preocupam em uma solução de problemas específicos, característica da pesquisa prática, contrários a pesquisa de natureza teórica uma vez que tal “Objetiva gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da Ciência, sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais” (Gerhardt; Silveira, 2009, p. 34).

Em relação ao contexto presente em todos os 10 trabalhos analisados foi possível a identificação, sendo esse: cursos de licenciatura em Educação do Campo nas pesquisas de todos os arquivos presentes no corpus da análise. Ainda, vale relembrarmos que dentro desses ambientes foram definidos os sujeitos a serem abordados na pesquisa e também os documentos que foram utilizados para análises. Seus sujeitos, sendo: alunos dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Matemática, identificados nos trabalhos de Costa (2018), Fernandes (2019), Lima, G. (2021) e Sá (2016), egressos dos cursos de Licenciatura do Campo na pesquisa de Cunha (2014), docentes formadores desses cursos, nas pesquisas de Hudler (2015), Lima, A. (2018) e Santos (2017) e educandos matriculados no curso de Ciências da Natureza e Matemática, presente na pesquisa de Lima, S. (2017). Salientamos que, o trabalho de Rosário (2017), não apresenta sujeitos, uma vez que é realizada uma pesquisa documental com análise de Projeto Pedagógico de Curso (PPC), mas é definido o contexto. Reiteramos que, todos os trabalhos utilizaram de categorias ou eixos de análise. Dito isso, não é possível estabelecer uma conexão entre eles, uma vez que alguns pesquisadores basearam seus estudos em referenciais teóricos, enquanto outros definiram categorias de análise conforme a sua preferência. Para discorrer sobre os principais referenciais teóricos ilustramos o panorama geral daquilo que foi discutido nos trabalhos no sentido conjunto e não individual, bem como os principais autores que estavam por trás dessas discussões. A respeito dos conteúdos apresentados temos então: Educação do Campo; Concepção de formação docente para as escolas do campo; Pedagogia da Alternância; Etnomatemática; Educação Matemática Crítica e Educação Popular.

Consequentemente, conseguimos conjecturar através dos referenciais teóricos apresentados nos trabalhos uma discussão que apresenta em todo o corpus do trabalho uma reflexão acerca da Educação do Campo, através de fontes distintas, mas que funcionam como descrição da importante modalidade educacional. Essas fontes sendo repassadas em alguns estudos, como os de Caldart (2009), Munarim (2008), Ribeiro (2012), Arroyo (1999), Molina e Antunes-Rocha (2014), dentre outros. Dito isso, foi dado nas pesquisas, a Educação do Campo a partir de um levantamento histórico, de política pública e até mesmo apresentando a sua interface com as pesquisas em Educação Matemática. Foi apresentado ainda, em Fernandes (2019), um panorama da Educação Rural às Licenciaturas em Educação do Campo, evidenciando as características das mudanças que a educação campesina sofreu.

Em todos os trabalhos, observamos a discussão de políticas públicas educacionais, que influenciaram o desenvolvimento e a discussão da modalidade Educação do Campo e o seu impacto no cenário brasileiro, assim sendo, temos uma unanimidade apresentada através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), responsável pela “[...] oferta de formação para a população assentada, desde a alfabetização de jovens e adultos, cursos técnicos e profissionalizantes e de formação em nível superior, na busca por minimizar os baixos índices de escolarização da população camponesa.” (Fernandes, 2019, p. 54). Outra política pública importante para o desenvolvimento da Educação do Campo, foi o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), também mencionado nos trabalhados analisados nesse artigo. O programa foi criado para ser responsável por destinar e apoiar financeiramente e tecnicamente a Educação do Campo e seus projetos, sendo esses organizados por estados e municípios, voltados para à formação superior de docente para escolas do campo e da formação profissional técnica.

 Para as discussões sobre a formação docente para as escolas do campo, identificamos trabalhos que discorrem sobre a necessidade da Educação do Campo, por exemplo, Molina e Freitas (2011), apresenta objetivos e expectativas a respeito dessa modalidade, que são vistos nos trabalhos desse artigo, enfatizando assim também o regime de alternância, implementado nos cursos de Licenciatura em Educação do Campo, fazendo assim as duas etapas da formação, a presencial conhecida como Tempo-Escola (ou Tempo-Universidade) e o Tempo-Comunidade, na qual os licenciandos estão presentes em/com suas comunidades desenvolvendo projetos, com a supervisão dos professores formados da universidade. A respeito da Pedagogia da Alternância, foram apresentadas as possibilidades que se originaram com sua implementação, sob um viés de formação humana, interligadas as próprias necessidades dos ambientes que receberão esses futuros profissionais, além disso, são discorridos alguns aspectos sobre a questão histórica e as origens do movimento da Pedagogia da Alternância.

 No corpus de trabalhos analisados presenciamos a Etnomatemática pelo meio das visões de D’Ambrosio (2001) e das suas conjecturas sobre o Programa, ressaltando também as contribuições de Knijnik (2016). Sendo assim, os trabalhos que abordam a Etnomatemática, trazem uma visão que pode ser descrita a partir de D’Ambrosio (2001), que compreende que o reconhecimento tardio, de outras formas de pensar, inclusive matemático, encoraja reflexões mais amplas sobre a natureza do pensamento matemático, ou seja, podemos compreender a Etnomatemática como algo inteiramente inserido no ambiente, seja qual ele for, e que busca o entendimento dos ensinamentos inseridos nesse local. Na direção dos estudos que envolveram a Educação Matemática Crítica, identificamos nos trabalhos o assentimento dos estudos de Skovsmose (2007). Dado uma visão de que, a Educação Matemática Crítica é um campo de estudo que revela preocupações com a matemática e seu ensino. No âmbito da matemática, enquanto pura e aplicada, esse campo se preocupa com os fins sociais para os quais tal ciência se destina – matemática em ação (Skovsmose, 2007).  Em relação a Educação Popular reiteramos as contribuições de Paulo Freire (1996; 1987), em especial as suas obras, Pedagogia da Autonomia e Pedagogia do Oprimido. Enfatizando questões a respeito da educação bancária e também sobre o reconhecimento dela como um método de educação, que considera os diferentes povos e seus saberes prévios, além das próprias realidades vivenciadas, como influentes e diretamente ligadas as construções dos novos conhecimentos. Servindo assim, como podemos notar de extrema significação para as discussões em relação a Educação do Campo e também aos cursos de formação desses profissionais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A fim de concluirmos as discussões realizadas no decorrer desse artigo, iremos sistematizar alguns pontos, com o objetivo de encerrarmos os propósitos do trabalho, ao qual se objetivava traçar um panorama das pesquisas em Educação do Campo no cenário nacional, apresentando algumas características gerais, seja das perspectivas teóricas como também das metodológicas utilizadas. Primeiramente, relatamos algumas características do aspecto de mapeamento, ao qual se mostrou uma ferramenta importantíssima para se traçar o cenário de um objeto de estudo específico, mas que também se demonstrou como um estudo de apresentação de dificuldades, uma vez que se mostra problemas em encontrar palavras-chave, definições de critérios de exclusão e até mesmo o tempo para análise de todos os materiais que podem ser encontrados. Dentre essas dificuldades, também é possível citarmos a não divulgação de alguns trabalhos, assim como as visões próprias dos autores de suas dissertações e teses, fazendo com que muitas vezes se torne dificultoso traçarmos e identificarmos alguns aspectos, principalmente quando nos referirmos aos metodológicos.

Dito isso, quando partimos para os aspectos metodológicos dos trabalhos que fizeram parte do corpus de análise desse artigo conseguimos deferir alguns pontos. A respeito das problemáticas, é possível vislumbrar que a respeito do objeto de estudo Educação do Campo em trabalhos que dão ênfase para a formação de professores e trabalham com aspectos referentes a Matemática, que todos sinalizam para uma necessidade de apresentação da problemática e os motivos que desencadearam o seu processo para a elaboração da pesquisa. Afirmamos que, este ponto desencadeia uma humanização do pesquisador, assim como demonstra as importantes percepções dos acadêmicos brasileiros em se deparar com problemáticas e buscarem discorrer e solucionar esses tópicos. Quando discutimos a respeito dos procedimentos metodológicos, como foco nas abordagens, naturezas e tipos de pesquisa, conseguimos traçar que as pesquisas no cenário brasileiro com a temática evidenciada nesse artigo, fazem uso predominantemente de abordagem qualitativa, enfatizando e buscando entender o fenômeno em sua profundidade.  Sendo assim, perpassam e analisam dados empíricos, isso se dá pelo fato de entendermos que no objeto de estudo da Educação do Campo nos trabalhos analisados, isso se adequa, uma vez que as pesquisas se preocupam com a formação dos professores que atuam nesse ambiente.

 Os trabalhos analisados também utilizam de larga escala de projetos políticos pedagógicos, para analisarem a formação e discorrerem sobre os temas referentes as pesquisas. Quanto as pesquisas de fato e as suas temáticas, podemos descrever que no cenário brasileiro os trabalhos apresentam preocupação em diversos assuntos frente a relação com a formação e a Educação do Campo, mas que não possuem um único viés. Quando nos debruçamos sobre os aspectos teóricos, não conseguimos apontar um único aporte dentro os trabalhos, haja vista os objetivos distintos, como mencionado anteriormente e também pelo uso de diferentes vertentes teóricas para a análise e interpretação dos dados obtidos. Todavia, quando nos inclinamos aos assuntos da Educação do Campo, Pedagogia da Alternância, Etnomatemática, formação dos docentes na Educação do Campo e Educação Popular, são possíveis apontamentos que utilizam das mesmas bases teóricas e discorrem utilizando os mesmos autores.

Assim sendo, conseguimos traçar um panorama geral do que as pesquisas em Educação do Campo estão discorrendo em seus assuntos, vale ressaltar que, a respeito das próprias conclusões e resultados desses trabalhos, se originam estudos que buscam auxiliar no desenvolvimento educacional, não só brasileiro, mas mundial, levando contribuições diretas a sociedade e as Instituições de Ensino Superior (IES), a fim de corroborar com os processos formativos nos ambientes campesinos, assim como discorrer sobre as necessidades de preocupação com os sujeitos aos quais estão inseridos nesses ambientes e dos seus direitos a uma educação de qualidade. Nesse sentido, se destaca em alguns momentos, pontos importantes sobre as questões de formação docente, discutida com o propósito de contribuir para o reconhecimento do ambiente campesino, discussão frente a essa modalidade de ensino e também para as situações que envolvam as práticas pedagógicas dos professores que serão inseridos nesse ideário educacional.

Também vale ressaltarmos, o grande aprendizado que o mapeamento originou, uma vez que necessitou de uma sistematização de informações e análise de diversos conteúdos acadêmicos, possibilitando o contato com diferentes pesquisas e vertentes teóricas, de tal forma que não há uma maneira única de se fazer pesquisa de qualidade, mas que dentre as diversas possibilidades é necessário utilizar a que se adequa a seu propósito. Evidenciamos por fim, que todas as pesquisas que serviram de base para o corpus desse artigo, estão diretamente compromissadas com a Educação do Campo e o desenvolvimento presente nos espaços que utilizam desse ideário educacional.

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