Água, paisagem e desenvolvimento: impressões de viajantes no Vale do Itajaí (século XIX e início do século XX)

Water, landscape and development: impressions of travelers in the Itajaí Valley (19th and early 20th centuries)

Gilberto Friedenreich dos Santos[1]

Martin Stabel Garrote[2]

Stella Maris Martins Cruz Castelo de Souza Nemetz[3]

Manuela Buzzi[4]

 

 


Resumo

O objetivo é analisar as impressões sobre a água a partir da descrição da paisagem no Vale do Itajaí, interrelacionando esse elemento com a presença humana, a biodiversidade e os demais elementos da geodiversidade. Consultaram-se fontes primárias e de viajantes que percorreram a região no século XIX e início do século XX, efontes secundárias. Os viajantes ao percorrerem os rios Itajaí-açu e Itajaí-mirim relatam a beleza da paisagem envolta nos cursos de água associando a biodiversidade e a geodiversidade. Alguns viajantes estabelecem comparações dos cursos de água da região com outros locais; sugerem ações para melhorar o transporte para promover o desenvolvimento da região; descrevem a ocupação (etnias) e dimensões das propriedades nas margens do Rio Itajaí. Destacam o uso dos recursos hídricos como elemento de desenvolvimento regional. Os fluxos de água, tão contemplada pelos viajantes, com o decorrer do tempo tornam-se problema crescente para o desenvolvimento da região ao causarem enchentes de repercussão catastrófica.

Palavras-chave: Água; Paisagem; Vale do Itajaí.

 

Abstract

The aim is to analyze impressions about water based on the landscape description in the Valley of Itajaí, interrelating this element with human presence, biodiversity, and other elements of geodiversity. Primary sources and travelers who traversed the region in the 19th and early 20th centuries, as well as secondary sources, were consulted. The travelers, upon navigating the Itajaí-açu and Itajaí-mirim rivers, describe the beauty of the landscape surrounding the watercourses, linking biodiversity and geodiversity. Some travelers make comparisons between the region's watercourses and those in other locations; they suggest actions to improve transportation to promote regional development; and they describe the occupation (ethnicities) and the size of properties along the banks of the Itajaí River. They highlight the use of water resources as a regional development element. The water flows, so admired by travelers, over time have become an increasing problem for regional development, causing floods with catastrophic repercussions. Keywords: Water;Landscape; Itajaí Valley.


 

 

 

 

 

Introdução

A água, ao longo da história humana, foi fundamental para a sobrevivência e o sucesso das civilizações. Podemos recordar, nas aulas de História do ensino fundamental, as primeiras comunidades e as sociedades fluviais, como o Nilo, que foi a dádiva do Egito, e a Mesopotâmia, o berço do Crescente Fértil da História humana. A água é um dos recursos naturais do planeta e indispensável a todas as formas de vida, e que exerce influência nos valores socioculturais em diversos povos (Peixinho; Feitosa, 2008).

No contexto do Vale do Itajaí, região que fica em Santa Catarina, sul do Brasil, essas relações são particularmente evidentes quando se considera o papel da água na construção da paisagem e no desenvolvimento social e econômico da região. Os principais cursos d'água, como o Rio Itajaí-açu e o Rio Itajaí-mirim, estabeleceram uma “Mesopotâmia” para o desenvolvimento da História Natural, e, posteriormente, possibilitaram um ambiente propício para os povos originários, para os colonizadores europeus, e para o desenvolvimento urbano industrial, exercendo uma dimensão que configura a sociedade humana, assim como configura a paisagem.

O objetivo é analisar as impressões sobre a água nos relatos de viagem sobre o Vale do Itajaí, entendendo tais impressões como formas de leituras e significação da paisagem hídrica, relacionando-a aos aspectos da biodiversidade, geodiversidade e às dinâmicas humanas que compõem a História Ambiental da região.

 

Marco teórico

Entende-se a paisagem como o caráter visual e interativo dos elementos da biodiversidade, geodiversidade e antrópicos. A biodiversidade representa os elementos bióticos da natureza, e a geodiversidade os elementos abióticos “[...] como minerais, rochas, solos, águas, paisagens, entre outros – que compõem a diversidade natural do planeta, sendo a base do desenvolvimento da biodiversidade na Terra”. A terminologia e seus estudos são difundidos a partir da “[...] década de 1990, e ainda são desconhecidos do público leigo, como também de diversos profissionais que realizam pesquisas na área das geociências” (Silva; Nascimento, 2016, p. 340).

De forma sintética, Silva et al. (2008, p. 12) consideram “que o conceito de geodiversidade abrange a porção abiótica do geossistema (o qual é constituído pelo tripé que envolve a análise integrada de fatores abióticos, bióticos e antrópicos)”, ou, conforme Nascimento, Ruchkys e Mantesso-Neto (2008, p. 15-16), “A geodiversidade é um elo entre as pessoas, paisagens e sua cultura por meio da interação com a biodiversidade.”

A geodiversidade constitui suporte para a biodiversidade (Brilha, 2005), e sua interação dá-se em escalas locais e globais (espacialmente e temporalmente), e recentemente estudos dessa relação tem recebido maior interesse. A crescente pressão humana e mudanças no uso da terra podem influenciar a relação geodiversidade e biodiversidade (Tukiainen; Toivanen; Maliniemi, 2022). A natureza, ao longo do tempo, tem interferido na sociedade na seleção de áreas e sua forma de ocupação, e representa recurso natural (Silva; Nascimento, 2016). Essa compreensão das ciências naturais e sua influência no desenvolvimento da sociedade humana converge com as propostas de pesquisa de interesse da história ambiental, ou seja, a interrelação sociedade e natureza.

Corrêa (2012) discute a noção de paisagem na História Ambiental da América Latina, particularmente no Brasil, sem o objetivo de propor uma conceituação. A discussão subsidia pesquisas de paisagens pretéritas de fontes escritas antes do século XIX, quando a paisagem não era considerada uma categoria científica. A autora aponta que paisagem possui um significado polissêmico, e identifica três posturas: “paisagem como percepção, como percepção e materialidade e, finalmente como materialidade”. Afirma que o termo paisagem induz à ideia “[...] como percepção ou o percebido, a expressão material e abstrata da relação do homem com a terra e, para alguns, revela também as relações dos homens entre si” (2012, p. 67). Ao finalizar o artigo, argumenta que a investigação e descrição de paisagens pretéritas de documentos (escrito, cartográfico, fotográfico e cinematográfico) são meios de uma representação.   

Karpouzoglou e Vij (2017), no artigo “Waterscape: a perspective for understandingthecontestedgeographyofwater”, trazem a compreensão da paisagem aquática ou paisagem hídrica, especialmente na tradição da ecologia política. As perspectivas dessa paisagem abordam o desenvolvimento mais recente nesta área de estudo, que são a interação sociedade e água. Abrange o movimento da água no tempo e no espaço, moldada pela cultura e geografia. Na tradição da ecologia política enfatiza a dinâmica do poder e da natureza contestada da água nas paisagens rurais, urbanas e periurbanas.

Entende-se por “impressões”, as percepções, descrições sensoriais, avaliações estéticas e representações culturais que os viajantes produzem ao observar a paisagem. Como argumentamKuri (2001) e Franco (2011), os relatos de viagem não são produzidos com uma neutralidade de juízo, expressam um olhar situado em uma cultura, e pela formação intelectual de quem olhou, o viajante. Tendo em vista os estudos de Junqueira (2011) e Karpouzoglou e Vij (2017), as “impressões sobre a água” são entendidas como um conjunto de percepções subjetivas e interpretações simbólicas que revelam informações ambientais sobre os rios, margens, florestas, navegabilidade e usos humanos.  

A interpretação das impressões exige compreender que as descrições dos viajantes não tratam apenas da descrição do natural, mas de uma interação entre o natural e o humano. Considerar que natureza e sociedade exercem influência recíproca é pensar a natureza como um elemento social e político (Rios, 2018). Os estudos históricos contribuem “com reflexões sobre as várias definições e ideias de natureza colocadas na ordem do tempo entre o espaço de experiência e o horizonte de expectativa, para dizer da invenção do passado e do futuro como tempos que gerem a natureza”. De forma interdisciplinar, cabe à história ambiental estabelecer conexões da sociedade entre a cultura e natureza (Rios, 2018, p.570).  

A água tem sido considerada nas pesquisas da história ambiental em diferentes dimensões: bacia hidrográfica (Arruda, 2015; 2011), mananciais e abastecimento de água (Cordeiro, 2008), saneamento (Troglio, 2021), relações sociedade e água (Cabral, 2011), água e consciência socioambiental (Valle et al., 2012), poluição da água (Harres, 2018), água e mineração (Vianna; Branquinho, 2018), entre outras abordagens.

Conforme Pádua e Chambouleyron (2019, p. 17), “[...] a partir da década de 1970, a literatura histórica específica sobre os rios cresceu muito, tanto em termos quantitativos quanto no aspecto da diversidade temática”. Reconhecem a estreita relação da história humana e o movimento das águas na superfície terrestre. 

No caso do território brasileiro, [...], é importante ressaltar que não se pode entender a formação da sociedade nacional, em sua grande diversidade, sem levar em conta o espaço continental onde o país foi construído, marcado por enormes e complexas redes fluviais. A vida social aqui existente, em sua variedade geográfica, econômica e cultural, interagiu de maneira acentuada com esse movimento incessante das águas, seja em termos de mobilidade, de processos de territorialização, de práticas culturais ou de dinâmicas de exploração econômica (Pádua; Chambouleyron, 2019, p. 16).

Ao mesmo tempo que o rio constitui(u) meio de transporte para os viajantes no baixo Vale do Itajaí no século XIX, serviu muitas vezes de referência para a descrição da paisagem. A água constitui(u) elemento fundamental para o desenvolvimento humano, e sua importância histórica está associada ao conhecimento produzido pela história ambiental. Elemento natural que foi determinante para a instalação de colônias no Vale do Itajaí.

 

Materiais e métodos

Foi realizado um levantamento de informações e documentos históricos, como os produzidos por Dr. Blumenau (fundador da colônia com seu nome) e de viajantes que percorreram a região no século XIX e início do século XX, recolhidos em publicações da Revista Blumenau em Cadernos, um periódico impresso que desde 1950 tem como objetivo divulgar a história da cidade, e estão presentes relatos de viajantes, e relatórios da colônia. Foram analisados bibliografias, dissertações e artigos de revistas científicas que apresentam análises sobre a região no período de estudo.

Junqueira (2011, p. 45) discute a metodologia dos relatos de viagem como fonte para o historiador. Nesse contexto, a questão ideológica e cultural é fundamental para compreender os relatos dos viajantes, pois “[...] que suas opiniões e julgamentos apontavam mais para o âmbito cultural do próprio viajante do que para o lugar visitado, [...]”. As viagens realizadas por ocidentais estão envoltas de curiosidade por lugares distantes e de pessoas vivendo de forma distinta. O arcabouço ideológico de um viajante pode estar relacionado a debates contemporâneos como de raça no século XIX. Os relatos de viagem representam intencionalidades variadas, e mesmo um relato oficial (governamental) “pode conter muito de pessoal e que uma narrativa pessoal pode vir carregada de informações científicas” (Junqueira, 2011, p. 46).

Franco (2011) também discute o uso dos relatos de viagem como fonte documental. Afirma que os relatos dos viajantes não são neutros, que carregam preconceitos e visões de mundo próprias. Os relatos costumam ser carregados de valores depreciativos da cultura e dos comportamentos dos povos visitados, e “[...] é o hábito dos viajantes de descrever o país pelas “ausências”, pela falta de civilização e progresso – que, diga-se de passagem, os próprios europeus julgavam possuir” (Franco, 2011, p. 67).

Moretto (2021) enfatiza a importância do relato de viajantes (botânicos, cientistas, técnicos e pesquisadores) pelo Estado de Santa Catarina, por constituírem fontes primárias e descreverem fatos não encontrados em outros documentos. Os viajantes possuíam valores culturais e visões diferenciadas, “[...] que podem construir uma maneira diferenciada de visualizar o cotidiano. No entanto, não se pode generalizar, afinal não foram todos os viajantes capazes de fazer tamanhas visualizações”. E “[...] a maioria deles estavam imbuídos por uma visão europeia e buscavam no Brasil elementos semelhantes aos da cultura do ‘Velho Mundo’”. (Moreto, 2021, p. 80). Semelhanças também foram traçadas por viajantes por sua passagem no Vale do Itajaí.

Os registros dos relatos analisados correspondem aos ambientes do baixo e médio Vale do Itajaí, desde a sua foz até a Colônia Hammonia. O mais antigo, de 1842, com Charles van Lede (1959), e o mais recente, de 1925, com WilliUle (2008). Neste ambiente de estudo dominam as Serras do Leste Catarinense e fundos de vale identificados como planícies litorâneas e planícies alúvio coluvionares, cobertas originalmente pela vegetação que compõe o Bioma da Mata Atlântica.     

No século XIX, Alexander von Humboldt considera que “a experiência da viagem é insubstituível”. As “[...] impressões estéticas experimentadas pelo viajante em cada região fazem parte da própria atividade científica e não podem ser substituídas por descrições ou amostras destacadas dos lugares onde foram coletadas”, contrapondo naturalistas europeus que não viajavam (Kury, 2001, p. 865). Os viajantes naturalistas que visitaram o Brasil preferiram a viagem, influenciados por Humboldt.

A arte - expressão privilegiada para dar conta das sensações visuais experimentadas pelos viajantes - acompanha sempre que possível os relatos e descrições feitos por naturalistas. As grandes expedições podiam muitas vezes contar com a presença de artistas, [...]. O mais marcante da abordagem humboldtiana, independentemente da qualidade artística das representações, é o estudo das “fisionomias” das paisagens (Kury, 2001, p. 866).

Os relatos de viagem buscavam descrever os diversos elementos que fazem parte do lugar, ou seja, a ciência compreendida na descrição da totalidade dos elementos.

Apesar de se especializar na descrição de sensações, a ciência romântica de matriz humboldtiana não deve ser confundida com descrições de cunho inteiramente pessoal e, por isso, totalmente subjetivas. Humboldt, Martius, Saint-Hilaire, ou Wied-Neuwied acreditavam utilizar os recursos das artes e da retórica para retratarem fielmente a realidade que observavam. A sensibilidade individual seria importante na medida em que dota alguns indivíduos da capacidade de perceber as forças que atuam na natureza e de transmitir as sensações vividas (Kury, 2001, p. 870). 

As percepções dos viajantes, principalmente europeus, estão relacionadas com a sua origem. Os relatos sobre o território brasileiro podem ser classificados da seguinte forma: a “[...] valorização da Europa como berço da civilidade [...]”, enquanto outros povos são primitivos e supersticiosos; a visão de paraíso e exuberância “do espaço natural e geográfico, com descrições de uma natureza pródiga e diversa” em animais, plantas e climas; a indolência e selvageria resultante da miscigenação; e “ora defendem a necessidade de um processo civilizador que transformasse o território e permitisse melhores condições de ocupação”. Essas ideias são recorrentes nos relatos dos viajantes (Sarat, 2011, p. 42). Além da visão paradisíaca e exuberante, a natureza também precisava ser dominada. Nesse domínio, a autora ressalta a importância da discussão da tecnologia em face da ampliação e ocupação de novas terras a serem colonizadas e para produzirem.

Contudo, essa representação de natureza exuberante e, ao mesmo tempo “indomada”, precisa ser analisada criticamente. Como demostra Aranha (2020), muitas vezes o discurso de vazios projetados pelos viajantes serve de argumento para justificar o processo de colonização. Assim, a percepção de um Brasil selvagem ou não transformado, desenvolvido, é apenas uma descrição que justifica e legitima a tomada do território por outra cultura.

Os dados coletados que abordam a percepção da água na paisagem foram analisados de forma crítica e sistemática identificando documentos que mostravam interações entre a água e a sociedade ao longo do tempo delimitado. O texto produzido buscou organizar essas percepções em uma perspectiva cronológica, destacando os temas centrais que emergiram das fontes, como a relação entre a geodiversidade, a biodiversidade e os elementos antrópicos no contexto da construção da paisagem do Vale do Itajaí. Com isso foi possível realizar uma análise do papel da água no contexto histórico da configuração da paisagem do Vale do Itajaí. E isso demonstrou que a água, longe de ser apenas um recurso natural, se constituiu como um elo vital entre os elementos naturais e a dinâmica sociocultural da região.

Com o estudo, alcançou-se uma compreensão de como a água moldou não apenas o ambiente físico, mas também o desenvolvimento social, econômico e cultural, refletindo as complexas interações que compõem o cenário da história ambiental do Vale do Itajaí. Contudo, os resultados são relevantes para preencher lacunas na historiografia regional, assim como possibilitam informações para a gestão da água em uma região onde a água, nos rios, chuvas, enxurradas e enchentes, entre outros fatores, faz parte da história cotidiana regional.

 

Resultados e discussões

Em 1842, antes de Dr. Blumenau chegar às terras do Itajaí, Charles van Lede (1959), engenheiro belga, percorreu o Rio Itajaí-açu e o Rio Itajaí-mirim para reconhecimento da geografia da região. Às margens do primeiro curso de água, Lede criou a sua colônia belga no ano de 1845 (atual município de Ilhota). Ao percorrer o Rio Itajaí-açu, localiza e levanta características topográficas e hidrográficas a respeito da profundidade e largura do rio, velocidade das águas, altura das margens fluviais, influência da maré, coordenadas geográficas, ocupação e os diversos cultivos agrícolas, presença da floresta, tipos de rocha, características do solo e topografia. Reconhece condições de navegabilidade do Rio Itajaí-açu no baixo vale sem obstáculos. Ressalta, em algumas passagens, a beleza da região e do referido rio como “- Nada mais pitoresco nem mais encantador do que a viagem por êsse rio” (Lede, 1959, p. 45).

Também faz anotações sobre as características do Rio Itajaí-mirim e trechos com condições de navegação. Lede executa o reconhecimento da região em muito apoiada com as possibilidades de navegação no Rio Itajaí, associada com a facilidade de comunicação, encontra condições favoráveis à fundação de sua colônia. Lede e Dr. Blumenau, fundadores de colônias no baixo vale do Rio Itajaí na metade do século XIX, exaltam a beleza da paisagem, mas a decisão da escolha de uma colônia está associada com a presença de recursos naturais.

Lede descreve o rio como um caminho onde a paisagem se revela diante dele. Suas observações ao viajar pelo Rio Itajaí-açu, de Itajaí a Blumenau, indicam que a cobertura florestal era densa e predominante, com apenas alguns cultivos dispersos. Isso sugere que havia uma ocupação anterior à chegada das imigrações alemãs e italianas, com vestígios de povos tradicionais, como os caboclos. Ao partir de Itajaí, ele menciona: “Toda a redondeza coberta de matas” (Lede, 1967, p. 182). Ao longo do percurso, Lede frequentemente nota a presença de vegetação nativa e pouquíssimas habitações. Em Ilhota, ele registra: “Posso Grande. Algumas raras derrubadas” (Lede, 1967, p. 183). Essas observações sugerem que a Mata Atlântica ainda não havia sofrido alterações significativas até meados do século XIX.

As primeiras referências ao porto onde hoje é Itajaí são do ano de 1816 (d’Ávila, 1982). Lede em 1842 (1959; 1967) e Aubé em 1844 (1944), referindo-se às limitações da navegação na foz do Rio Itajaí, descreveram a presença de sedimentos e de rochas submersas que dificultavam a entrada de navios ao porto, este situado na época a montante do atual porto próximo da confluência do Rio Itajaí-mirim. Para promover o desenvolvimento do transporte cogitaram a possibilidade de removerem os obstáculos no canal do rio, processo realizado no início do século XX.

A embocadura do Rio Itajaí é “obstruída pelas areias que, nas grandes enchentes, suas águas trazem em suspensão e depositam desde que diminui a velocidade de que são animadas, e seria perigoso tentar a entrada dêste rio com mais de dez pés de calado” (Lede, 1959, p. 41-42). Dadas as limitações de profundidade, não encontra impedimento para a navegação ao afirmar que “Cuidadosamente sondámos a entrada dêstepôrto, e com maré baixa não achámos menos de duas braças e meia d'água. O canal não é difícil de distinguir, e temos a convicção de que êstepôrto poderia ser fàcilmente melhorado”. Realizar este empreendimento requer um estudo mais detalhado e “para bem reconhecer as influências que as grandes cheias exercem nas correntes e nos bancos que se acham na entrada dêste belo rio” (Lede, 1959, p. 42).

Lede também percorre o Rio Itajaí-mirim, que o considera “[...] notável pelas numerosas voltas, pela profundidade, pela tranqüilidade das águas, pelo pitoresco das margens e pela fertilidade das terras que atravessa”. Preocupa-se em reconhecer as suas características ao percorrê-lo.

[...] em longa extensão, muito além de qualquer habitação, até ao Taboleiro; fizemos o levantamento de tôdas as suas sinuosidades, medimos tôdas as profundidades e, salvo ligeiros obstáculos determinados pela grande quantidade de árvores que êle arrasta em suas grandes enchentes, e das quais algumas lhe atravancam o leito, é êste rio navegável por embarcações de calado bastante grande. Será êle um grande auxílio para as comunicações com o interior, porque se diz que é possível subí-lo até ao primeiro salto, [...] (Lede, 1959, p. 42).

Lede (1959, p. 45) associa a beleza do Rio Itajaí-mirim à riqueza diferenciada da biodiversidade e à satisfação de estar ali presente.

A luxuriante vegetação que cobria as margens e a que o sol esplêndido do Brasil emprestava um encanto desconhecido das regiões européias, as águas tranqüilas do rio, a velocidade da nossa pequena embarcação que, ao menor impulso, deslizava graciosamente pela superfície liqüida, a variedade de pássaros que existiam nessas florestas e que, pela sua bela plumagem e pela diversidade de seu canto, davam vida a essa deliciosa solidão, - tudo isso emprestava o maior encanto à nossa excursão, e, pesarosos, víamos a noite aproximar-se ràpidamente, não obstante devêssemos prosseguir em nossa exploração no dia seguinte.

A descrição de Charles van Lede sobre os rios Itajaí-açu e Itajaí-mirim apresenta elementos importantes para compreender a paisagem e a forma como a interação humana a compôs. Fica evidente a representação da natureza ao tratar os rios como elementos de transporte e comunicação, assim como localização para o desenvolvimento da colônia, e sobre a fertilização do solo, a disponibilidade de recursos e ecossistema conservado, indicando assim, uma estreita relação entre a biodiversidade, geodiversidade e práticas humanas.

No início do século XIX, os relatos de viagem apresentam “estética narrativa” que comumente cediam “espaço ao realismo” para atender “propósitos pedagógicos relacionados à orientação para sobrevivência na mata e à preservação ecológica”. Um tema relevante que consta nos relatos dos viajantes estrangeiros no Brasil é a descrição da paisagem e a constante valorização da natureza (Ferreira, 2022b, p. 163). A água representou no início um elemento natural como meio de transporte através da navegabilidade no Rio Itajaí, e sua disponibilidade para o desenvolvimento agrícola.

No quarto relatório da colônia em 1853, Dr. Blumenau (alemão, formado em farmácia, química e filosofia) descreve a faixa litorânea no entorno da embocadura do Rio Itajaí e o maior afastamento em direção a montante tem menor presença de terras alagadas, a boa segurança do porto, e as boas condições de navegação como fatores determinantes, entre outros atributos naturais, para a instalação de sua colônia.

A Colônia está situada nas margens do rio Itajaí-grande, em distância de seis até sete léguas da costa do mar. O rio oferece na embocadura, um pôrto bom e seguro contra todos os ventos e a barra do mesmo na maré baixa regula um fundo de 14 até 15 palmos dágua, pelo menos.

Fora da barra os morros das Cabeçudas formam uma abra ou praia bem abrigada contra os ventos de Leste pelo Sul ao Oeste, os quais ordinariamente são os mais fortes, e esta abra pode abrigar os navios da maior lotação.

O rio está bem navegável para os iates do país até ao arraial do Belchior, meia légua abaixo da colônia; dali até o embarcadouro atual da colônia tem duas correntezas baixas e bastante rápidas que dificultam, porém não impedem, a livre navegação de maneira que havendo, no futuro, bastante população para entreter vantajosamente a carreira de vapores chatos como se tem nos rios baixos da Alemanha, poderão os mesmos subir até meia légua acima do atual embarcadouro da colônia.

As terras do Itajaí, geralmente são celebradas na Província de Santa Catarina pela sua uberdade, e quanto mais rio acima, tanto mais férteis e mais livres de pântanos elas se mostram; [...].

[...]

Foram estas, principalmente a fertilidade e a boa situação das terras, num rio navegável com pôrto seguro, à proximidade do mar o clima salubre e a circunvizinhança de muitas terras devolutas os motivos que me determinaramfixar o meu estabelecimento no lugar onde hoje existe, depois de eu ter viajado por grande parte das províncias do Rio de Janeiro, Santa Catarina e e Rio Grande do Sul (Relatórios..., 1958, p. 103).

Hermann Blumenau foi um dos estrangeiros que realizaram estudos no território brasileiro, cujos relatos se integram à literatura de viagem (Ferreira, 2022a). Na publicação de “A Colônia Alemã Blumenau na Província de Santa Catarina no Sul do Brasil”, Dr. Blumenau o concebe como um relatório escrito até junho de 1855. Manifesta que “Após muitas viagens pelas diversas regiões do país, elegi as margens do belo Itajaí como um ponto de entroncamento, de onde a colonização alemã pode e deve se estender da maneira mais natural possível, superando todas as minhas expectativas” (Blumenau, 2002, p. 26). Reconhece que a sua colônia se desenvolveu de forma lenta e progressiva.

Como destaca Ferreira (2022b), essa visão utilitarista passa a predominar nas descrições dos viajantes, contexto que também se percebe nos relatos de Dr. Hermann Blumenau, a utilidade da natureza refletida na fertilidade das terras, na navegabilidade do Rio Itajaí-açu, na segurança do porto na embocadura e a proximidade do litoral, como fatores decisivos e importantes para a instalação da colônia que levaria seu nome. Essas condições naturais e de percepção da natureza evidenciam a interação entre a geodiversidade – rios, solo, relevo e clima – e as práticas humanas que moldaram o espaço no Vale do Itajaí. Neste sentido, a descrição do rio e suas margens revela o papel central da água como infraestrutura natural, essencial para o transporte, a comunicação e o suporte à economia emergente. O relato de Blumenau demonstra que a natureza era concebida como recurso a ser transformado para atender às demandas humanas.

A dependência dos recursos hídricos também foi determinante para a prosperidade da Colônia Brusque no século XIX, situada às margens do Rio Itajaí-mirim. O almirante Lucas Boiteux (1958, p. 168), na aproximação do centenário do município de Brusque, em biografia do presidente da província Francisco Carlos de Araújo Brusque, transcreve trecho de seu relatório apresentado à assembleia legislativa provincial em 1860.  

[...] esta província reúne as mais belas condições para atrair uma corrente de emigração espontânea a seu solo ainda inculto. Clima ameno, terras férteis capazes a tôda produção, e majestosos rios, onde pode deslisar extensa navegação fluvial são as condições que garantem o risonho futuro que lhes aguarda.

Na segunda metade do século XIX percorreram o Rio Itajaí-açu até a colônia Blumenau, Robert Avé-lallement em 1858 (1953), três anos depois Johann Jakob von Tschudi (1988), e Hugo Zöller concluindo seu trabalho em 1882 (1990). O uso do transporte fluvial permitiu que todos descrevessem a paisagem de ambas as margens do rio. Na Província de Santa Catarina, conforme Ferreira (2022b), Avé-Lallemant valoriza os aspectos naturais ao citar, por exemplo, os rios do interior do continente, particularmente o Rio Itajaí-açu.

Ferreira (2022b, p. 167-168) enfatiza “[...] que Avé-Lallemant não estava interessado apenas no aspecto exótico ou nas belezas naturais como pontos românticos do Brasil, deixando transparecer que os rios eram importantes canais para a garantia do comércio e a locomoção de pessoas e mercadorias [...]”. Trata-se de um “[...] discurso utilitarista, caracterizado pela focalização nos recursos naturais, humanos e técnicos e pela produtividade no seu uso, era responsável pela narrativa repleta de informações acerca da ocupação e desenvolvimento destes territórios” (Ferreira, 2022b, p. 168). Isso pode ser visto na seguinte afirmação do viajante:     

Logo ao alvorecer estava eu diante da casa, à margem do Itajaí. Magnífico rio! Quase tão largo quanto o Uruguai em São Borja, passa tranqüilamente, abundantíssimo de água e leva com segurança os navios mercantes que entram do mar até longe, subindo; os pequenos navios podem alcançar a própria colônia, vantagem de inestimável utilidade para os colonos (Avé-Lallemant, 1953, p. 153).

O viajante Avé-Lallemant (1953), alemão formado em medicina, em vários momentos descreve a beleza envolvente do Rio Itajaí na sua ida a Blumenau, associando com a presença da vegetação e notando a erosão das margens fluviais no baixo vale.

Larga, profunda e potente, corria, em longa marcha, a bela massa de água, geralmente silenciosa. Encantadora floresta virgem refletia-se na corrente e esbeltas palmeiras inclinavam-se sôbre as ondas escuras, balançando-se ligeiramente. Mas, ao lado do quadro da mais profunda paz, o da mais furiosa destruição. Em muitos lugares desabaram os barrancos do rio com os matos que os cobriam. As mesmas frondes pujantes que se elevavam para o céu subitamente se precipitaram na torrente e ali ficam apoiadas no fundo, rodeadas pelas águas espumantes, até que se decomponham ou que as areias as enterrem completamente. As próprias árvores mortas apresentam quadro de destruição ainda mais furiosa (Avé-Lallemant, 1953, p. 154).

À medida que Avé-lallemant percorria o rio com a proximidade da colônia belga, destacou a maior presença da cultura nas margens fluviais, como as bananeiras e cana de açúcar. Entre o Rio Gaspar e a Colônia Blumenau, contempla novamente a floresta, pois “Na mesma medida em que a corrente do rio se torna mais rápida, a mata se inclina sôbre as margens. Em lugares isolados, bem perto da corrente, surgem esplêndidas copas de admiráveis vistas” (Avé-Lallemant, 1953, p. 157).

Em Blumenau, nas proximidades do salto, ao percorrer o rio Itajaí-açu e suas margens, a montante da sede da colônia, início do médio vale do Itajaí, aponta as dificuldades de caminhar na mata virgem e a maior agitação das águas sem deixar de admirar a beleza da paisagem.

Num dos dias seguintes fizemos esplêndida viagem rio acima para continuar pelo mato até o salto e chegar à cachoeira do Itajaí. Quanto mais se sobe o rio, tanto mais êle brame com violência e tenha cuidado consigo quem não levar canoeiros capazes. Entre as culturas marginais desdobram-se íngremes elevações cobertas de mato e formações rochosas, em volta das quais apesar de ser de repouso a estação do ano, parece florescer tôda uma primavera. Como deve ser soberbo o Itajaí ao tempo do carnaval, quando a mata ostenta tôda a sua riqueza floral e milhares de variegadas borboletas adejam em volta dos aromáticos cálices das flores e nêles sorvem o orvalho do céu.

[...]

Então começa o rio a bramir com mais violência. Saímos da mata para o leito do rio, entremeado de pedras negras, por entre as quais passa o Itajaí sussurrando numa multidão de cachoeiras. Magnífico cenário silvestre da mata virgem que, estando nas sombreadas pedras da margem tranqüila, a gente não se cança de contemplar!

Entretanto os canoeiros subiram o rio com a sua leve embarcação, não sem ficarem encharcados nas muitas ocasiões em que tiveram de vencer ruidosas cachoeiras. Mas, para ver convenientemente o salto, é preciso navegar para a outra margem.

Entramos na canoa. A travessia pareceu-me arriscada. Bem perto da pequena queda dágua, por entre penedos e através das águas espumosas e turbilhonantes, foi a embarcação empurrada contra a bramante correnteza, quase invencível. Os canoeiros avançaram com dificuldade, lentamente, e chegaram à outra margem, de água mais tranqüila. Desembarcamos e começamos uma subida não isenta de perigos.    

Estendem-se em massas ciclópicas, rio acima, paredes de pedra inteiramente escalvadas. Temos de trepar a íngreme muralha bloco por bloco; às vêzes ficamos pendurados, no sentido literal da palavra, sôbre a água, arrastando-nos para cima com o auxílio das mãos. Assim se chega ao salto pròpriamente dito.

Aqui a fôrça da água rasgou larga brecha através da massa rochosa que se lhe opõe. Com furiosa impetuosidade a corrente se precipita contra o portão negro e cai, rugindo, no abismo. Faz o seu caminho em loucos torvelinhos através das paredes despedaçadas do canal e sai, afinal, do fantástico despenhadeiro. Burkart comparou o salto à cascata do Reno em Schaffhausen. Bastante violento é êle e certamente magnífico e grandioso, embora não equivalha, em massa, ao salto do Caveiras, em Lajes.

[...] Sôbrenós pendiam, no alto, silenciosas copas de árvores; ao nosso lado trovejava o rio, descendo; nenhum vestígio humano, nenhuma tentativa de civilização ofendera, aqui, a natureza selvagem (Avé-Lallemant, 1953, p. 163-166).

Avé-Lallemant ocasionalmente compara o rio com outros cursos de água. No final da viagem para o Vale do Itajaí, enaltece o trabalho do alemão associando a beleza da paisagem e sua riqueza natural, de um povo que gerará o desenvolvimento da região.

Que pode vir a ser o Itajaí! Que prosperidade pode desenvolver-se em suas margens para felicidade do Império do Brasil e dos imigrantes! Como o belo, largo e geralmente profundo rio faz valentemente o curso através das espêssas matas! Como é preciosa a terra de suas margens, como é abençoado o trabalho alemão nos campos! (Avé-Lallemant, 1953, p. 169).

O relato acima expressa a importância do processo civilizador diante da presença do imigrante na e para a transformação do espaço geográfico como condição para promover o desenvolvimento da região. E teve o ensejo de convencer-se “cada vez mais de quanto o belo rio é apropriado para o desenvolvimento de uma vigorosa vida colonial sob a direção especial e direta do govêrno” (Avé-Lallemant, 1953, p. 172), passagem que novamente evidencia a paisagem e o caráter utilitarista do Rio Itajaí. Reforça a importância de estimular a colonização, pois “Em qualquer caso, o Itajaí e tudo o que se acha em suas margens, terras e homens, deve, com razão, ser auxiliado com todo o poder e todos os recursos. Quem tem o poder e os recursos e quiser aplicá-los fará do magnífico rio uma poderosa artéria de colonização” (Avé-Lallemant, 1953, p. 206).

Correa (2005), na análise intertextual de relatos de viajantes alemães na Província de Rio Grande do Sul, constata a certeza da expansão colonial e no predomínio de colonos alemães. Retórica também expressa pelos viajantes ao percorrerem o Vale do Itajaí e seu potencial de desenvolvimento, como enfatizado por Avé-lallemant nas passagens acima. O viajante também trata da importância das estradas para o desenvolvimento da colônia, e de Blumenau a Itajaí “[...] para as estradas, o rio é um mau vizinho, como já ficou comprovado por várias vêzes”, devido às enchentes que atingem as margens do rio. E “Uma estrada de Blumenau a Dona Francisca teria de sofrer menos destruições pelos fenômenos naturais” (Avé-Lallemant, 1953, p. 206). Avé-llalemant traça a importância de estabelecer conexão com o porto de São Francisco como ponto comercial para desenvolver a região.

E quando penso que o movimento comercial no pôrto de São Francisco, dispensando-se-lhe certos cuidados, é muito cômodo e muito seguro e com o qual nem de longe se pode comparar a pequena enseada do Itajaí, de novo me convenço de que todo o futuro desenvolvimento da colonização do norte da Província de Santa Catarina deve ser centralizado em Dona Francisca e ter naquela colônia o seu ponto de gravidade, a sua sede, o seu órgão dirigente (Avé-Lallemant, 1953, p. 206).

Apenas três anos após a viagem de Avé-lallemant, Tschudi (suíço naturalista) descreve o Rio Itajaí como “[...] um rio muito bonito com pouca correnteza; suas margens são, em média, pouco superiores do que o leito do rio. Às vezes, se formam barrancas altas que podem ser passadas.” E aponta alteração da cobertura florestal nas margens do rio que “[...], em toda sua extensão, são habitadas com maior ou menor densidade, só em poucos lugares ainda existem extensões contínuas de mata virgem”. Afirma que “O panorama geral não é imponente, porém, sempre agradável e pitoresco” (Tschudi, 1988, p. 46). 

Tschudi (1988) considera a navegação no Rio Itajaí-mirim difícil e, às vezes, perigosa, sugere a sua regularização que garantiria o florescimento da colônia. Para concretizar tal medida, o governo agiria de forma racional se destinasse parte dos gastos no transporte dos colonos, ou seja, introduzir um menor número de colonos e investir para retirar os obstáculos do rio. A execução de obras mais recentes (aumento da abertura e profundidade na foz do canal do Rio Itajaí) facilitaram a movimentação de navios de maior porte. Como Avé-llalemant, Tschudi constata dificuldades no transporte e apresenta propostas para estimular o desenvolvimento da região.

Tschudi (1988, p. 53) também faz referências à queda de água do Salto, que “Com bastante água deve oferecer uma vista aprazível. Eu a achei insignificante”. Associa o uso do solo, e a importância da floresta na erosão nas margens do rio no seu baixo curso. Atualmente, a ausência de mata ciliar em muitos trechos é notória, em que se destacam a presença de extensas áreas de pastagem e urbanização das planícies de inundação.

Tschudi e Zöller descrevem a ocupação (etnias) e dimensões das propriedades nas margens do Rio Itajaí. Conforme o primeiro, “Entre a Barra do Itajaí mirim e Volta Grande são as margens do grande rio habitadas geralmente por brasileiros; nas direitas, se localizam as grandes propriedades de um tal Mafra; na margem esquerda predominam pequenas propriedades” (Tschudi, 1988, p. 44), e que no Rio Itajaí “As margens, em toda sua extensão, são habitadas com maior ou menor densidade, [...]” (Tschudi, 1988, p. 46). As margens do Rio Itajaí-açu, planície de inundação e terraços fluviais, receberam muitas lavouras enriquecidas pelos nutrientes contidos na lama que se depositaram com o transbordamento do rio (Lago, 2000).   

Nesta época o rio ainda representava a principal via de acesso entre Blumenau e Itajaí, que condicionaram o desenvolvimento da região em torno das margens fluviais e a dependência do transporte fluvial. Zöller, enviado por um jornal alemão para relatar as suas impressões, ao percorrer o Rio Itajaí até Blumenau no início dos anos de 1880, destaca a beleza de uma paisagem diversificada ao combinar na descrição elementos da biodiversidade e geodiversidade. O Rio Itajaí relembra o Rio Reno na Alemanha. Compara com outro curso de água em Santa Catarina ao estabelecer dimensões e volume de água superiores que evidenciam o caráter utilitarista do Rio Itajaí.

Esta viagem feita por uma região montanhosa com lindas florestas ainda em parte nativas, se desenrola numa variada paisagem. As copas das árvores cobrem as margens do rio sob o qual talvez se esconda um arisco jacaré ou crocodilo brasileiro. O rio, ao estreitar-se, mostra uma curva fechada onde, entre lindas encostas verdes, se forma uma paisagem suave e agradável. Em outras partes do Reno entre Bohn e Colônia, se repete o mesmo.

O rio é talvez dez ou vinte vezes mais largo e volumoso que o Cachoeira de Joinville. Com sua desembocadura rasa e larga, sofre as influências das marés. O Itajaí tem numerosas curvas semelhantes ao Cachoeira, curvas que dobram a distância de 51Km do Porto de Itajaí a Blumenau. A influência das marés se faz sentir até a cidade, ponto até o qual é navegável com barcos de 4 a 5 pés de calado (Zöller, 1990, p. 140).

E “A sede de Blumenau é aprazível, num cenário com florestas, montanhas e que recebe um colorido especial com o magestoso Itajaí e seus numerosos afluentes” (Zöller, 1990, p. 142). Aponta semelhanças na descrição da ocupação de ambas as margens, como o povoamento esparso, a presença de algumas grandes propriedades e do brasileiro.

A terra em ambas as margens, até os limites da Colônia, é esparsamente povoada e pertence a alguns latifundiários que pouco se dedicam às suas terras e não Zollevitam o povoamento de gente inútil. Todos os ranchos de madeira que de vez em quando se vê nas margens, não têm o menor direito sobre as terras que ocupam, mas nem o Imperador tem condições de removê-los. Esta gente vegeta com o que uma pequena parcela de terra produz sem muito esforço duma maneira indigna a um ser humano. É flagrante como o brasileiro pode viver duma maneira bem mais modesta do que o alemão (Zöller, 1990, p. 140-141).

O diferente modo de viver entre o brasileiro e o imigrante alemão expresso por Zöller, revela que, apropriando-se da afirmação de Sarat (2011, p. 45), no século XIX os relatos “[...] denunciavam a mistura racial – que caracteriza os brasileiros – como uma das responsáveis pela indolência, sujeira, crueldade e lascívia, para se falar somente de alguns ´defeitos`, que se poderia dizer que seriam impressões distorcidas da realidade contada nos relatos.”

A comparação entre o relato de Zöller e os escritos de outros viajantes alemães evidencia que não havia uma narrativa única ou homogênea. As percepções variam conforme as expectativas pessoais, formação intelectual, interesses e experiências vividas durante a viagem. No mesmo período em que Zöller descreve os brasileiros de maneira depreciativa, outros viajantes, como Gernhard, elaboram representações mais positivas, reconhecendo as habilidades locais, valorizando a paisagem e destacando aspectos do cotidiano regional. Essa diversidade demonstra como os relatos não constituem um bloco discursivo, mas um conjunto de vozes múltiplas, muitas em contraste, mas que ajudam a interpretar o território e seus habitantes.   

Gernhard (alemão, foi redator do antigo jornal Reform de Joinville) ao percorrer o baixo curso do Vale do Itajaí, em obra publicada em 1901 (1998), exalta a beleza do rio e suas mudanças com a erosão nas margens.

Blumenau aportou na margem direita do Itajaí e lá fundou um povoamento onde hoje está situada a cidade. O Rio apresenta um belo panorama. Suas águas límpidas correm larga, profunda e majestosamente calmas no meio de uma densa floresta. As esbeltas palmeiras balançam ao vento sobre o leito do rio. Nas margens, os desbarrancamentos arrastam parte da floresta e árvores gigantescas, cujas copas ainda se levantam para o céu, envoltas em águas espumantes onde formam remansos (Gernhard, 1998, p. 53).

A montante da cidade de Blumenau aponta as dificuldades encontradas para percorrer o rio devido à maior turbulência das águas (corredeiras e cachoeiras), e ressalta a presença do elemento tradicional ao afirmar que “O caboclo é o único que tem a habilidade de manejar a canoa sem virá-la” (Gernhard, 1998, p. 53), diferentemente de Zöller que emprega uma conotação negativa do brasileiro. E “Em fevereiro, o Rio ltajaí é indescritivelmente belo e quando a floresta está florida, milhares de colibris e borboletas voam por entre os cálices das flores absorvendo o orvalho” (Gernhard, 1998, p. 54), época do ano também destacada no relato de Avé-lallemant. Enaltece a presença e ocupação do alemão nos inúmeros afluentes do Rio Itajaí-açu e sua capacidade em promover o desenvolvimento na região. 

O leito do rio se estreita, correndo por entre rochas negras, formando numerosas cachoeiras pequenas. O cenário grandioso não cansa o observador, que pode contemplá-lo da margem calma e sombreada. Também os vales dos afluentes do Itajaí, despertam no observador um sentimento de admiração e respeito pelo trabalho hercúleo realizado pelo braço alemão. Um campo de batalha se une a outro! [...] (Gernhard, 1998, p. 53).

Gernhard (1998) considera que a localização do município de Blumenau às margens de um rio com condições de navegação foi fundamental para o seu desenvolvimento, mas o imigrante tem sido o fator principal. E “Os blumenauenses afirmam que daqui parte uma atividade comercial intensa e uma exportação maior do que a Colônia Dona Francisca. O rio navegável contribui, mas o fator principal está no tipo de imigrante que veio para Blumenau.” (Gernhard, 1998, p. 55).

Para entender os fatores que condicionam a ocorrência de enchentes na cidade de Blumenau (stadtplatz), Gernhard descreve as suas características geográficas.

O ltajaí é um rio de montanha com muitas cachoeiras e corredeiras. Abaixo da última, situa-se o Stadtplatz, ao qual não se pode dar uma apresentação, pois ele se estende ao longo do Rio e dos Vales. Na barra do Garcia, o rio forma uma curva acentuada e as elevações estreitam os leitos, reduzindo a sua correnteza. Após as chuvas prolongadas, sempre existe o perigo de uma enchente, porque o rio pelo seu salto, despeja mais água do que pode escoar.

Assim aconteceu em 1856, 1869 e principalmente em 1880, quando Blumenau foi assolada por terríveis enchentes com prejuízos incalculáveis. [...]. Apesar disto, Blumenau tomou um impulso não esperado, testemunho glorioso da inteligência e trabalho da população. Esta, conforme já insinuamos, tem uma característica diferente da de Joinville, para o proveito de Blumenau (Gernhard, 1998, p. 56).

Nas áreas de colonização alemã no sul do Brasil, os relatos de viajantes contribuíram para propagar a imagem da América como fronteira em expansão (Correa, 2005). Conforme o autor, os relatos dos viajantes alemães recorreram a um olhar do diferente, do estranho, mas também buscam o familiar. Constata-se o familiar na busca da analogia da paisagem em torno dos cursos de água da região visitada com a Alemanha relatada por alguns viajantes.

As analogias entre as paisagens são frequentes em Avé-lallemant, pois “o viajante alemão busca o familiar para si e para seus leitores” (Correa, 2005, p. 241). Viajantes, ao descreverem a paisagem natural, relatam o esforço e o trabalho humano em novas terras, e nas palavras de Correa (2005, p. 245), disseminaram a imagem do imigrante como “arautos da civilização”. Ou seja, “Em meados do século XIX, as áreas de colonização alemã eram vistas como ilhas de civilização no meio de um oceano verde e inculto.”

A obra “Através da América do Sul” publicada em 1925 na Alemanha por WilliUle (2008), especialista em ciências marítimas, relata no capítulo “Alguns dias na Alemanha” impressões sobre o Vale do Itajaí (Petry, 2008). Ao percorrer de navio o Rio Itajaí-açu de Itajaí a Blumenau, descreve as características naturais e brevemente a ocupação das margens, e a sensação agradável de contemplar a paisagem.

Admirei a largura do pequeno rio, que sequer constava nos mapas do Atlântico. Mais perto da foz ele tinha a largura de trezentos a quinhentos metros. A viagem apresentou muitas coisas interessantes. As margens, a princípio planas, elevam-se mais e mais terra adentro; as colinas que se avistava ao longe agora margeiam o rio, dando uma visão agradável, ainda mais que o rio corre em serpentina. Nas margens havia mata ou extensos pastos com gado. [...].

Rio acima, o vale se tornava cada vez mais estreito, porém a correnteza mais forte. Nosso pequeno navio avançava lentamente. No entanto, a paisagem ficava mais montanhosa e mais atrativa. Chegamos a Gaspar, uma colônia de lavradores localizada numa bonita região, então finalmente, ao longe despontava Blumenau, estendendo-se de modo pitoresco logo após uma curva do rio ao pé de morros (Ule, 2008, p. 13).

Ule (2008, p. 25 e 27) aproveita para visitar Hammonia (atualmente Ibirama), colônia criada no final do século XIX a montante de Blumenau localizada no médio Vale do Itajaí. O trecho não é navegável, mas Ule percorre de trem que segue as margens do rio e relata as mudanças na paisagem a partir de Indaial. 

Rio acima, as encostas dos morros iam se tornando gradativamente mais altos, o vale mais estreito e o rio mais turbulento. Em certos lugares os morros de rocha escarpada beiravam o rio. A paisagem era extraordinariamente bela: o rio espumante com suas inúmeras curvas, as rochas escarpadas e os morros cobertos pela densa mata virgem. Esta região foi denominada “Suíça”, assim como é usual na Alemanha (Ule, 2008, p.28).

Os relatos de viajantes alemães ao visitarem o “[...] interior do Sul do Brasil, viram uma Alemanha no Brasil e tiveram uma sensação ambígua de algo estranho e familiar ao mesmo tempo” (Correa, 2005, p. 266). Relatos de viajantes no século XIX e início do século XX descrevem com admiração e exaltam a beleza da paisagem proporcionada em torno dos cursos de água, mas que também tem causado enchentes e mortes por afogamentos. Entre as principais causas de morte entre os colonos devem-se a afogamentos, com muitos óbitos, pois “Nos primeiros tempos, os rios de Hammonia tinham maior volume de águas e estas exerceram verdadeiro fascínio sobre as pessoas” (Wiese, 2008, p. 74).

Lago (2000) atenta para a observação do urbanista e arquiteto Jorge Wilheim no final dos anos de 1960 em Rio do Sul, história que tem uma relação de dependência dos fluxos de água e a escolha do seu sítio urbano se inspirou na confluência dos rios Itajaí do Sul e do Oeste.

O importante, todavia, me foi a confissão feita pelo urbanista de São Paulo, lamentando o fato de que ao longo dos rios caudalosos que confluenciam no espaço urbano de Rio do Sul, as edificações geralmente davam as costas para os fluxos, em inadmissível desprezo a um componente paisagístico de alto valor estético (Lago, 2000, p. 99).

Os inúmeros cursos de água que atravessam as cidades do Vale do Itajaí também representam ameaças com as esporádicas inundações. Constrói-se a imagem de um rio como temor, e Lago (2000, p. 102) refere-se ao poeta Lindolf Bell (natural de Timbó, fundou o movimento Catequese Poética):

[...], que os blumenauenses não vêm o rio Itajaí-açu como, tomando expressões de Gandavo, “fresca e preciosa ribeira”.

O rio evoca, nas palavras do mais ilustre filho de Timbó, menos do que o respeito pelo que tem de dadivoso, o temor pela sua instabilidade e a perspectiva de se tornar destrutivo.

E, se não for falha da minha incompetente memória, completou o mensageiro das “gerações traídas”, acionador do exitoso movimento de catequese poética:

 “O catarinense litorâneo vê e sente o mar como águas prazeirosas, pintando-o em cores vivas e alegres. O blumenauense pinta o Itajaí-açu como um caudal opaco, cor feia de barro e de impurezas”.

 

Conclusões

As impressões e representações sobre a água no Vale do Itajaí, com base nas descrições de viajantes entre os séculos XIX e início do XX, revelam o papel central desempenhado pelos rios Itajaí-açu e Itajaí-mirim no desenvolvimento socioeconômico e na configuração da paisagem regional. As fontes analisadas deixam claro que os cursos de água tiveram papéis essenciais para o transporte e a ocupação territorial. As percepções estéticas da natureza foram moldadas pela presença dos rios, que influenciaram as decisões sobre a colonização e o desenvolvimento.

A água foi percebida como recurso útil para o desenvolvimento e componente estético, destacando-se como fator integrador da geodiversidade, biodiversidade e a presença humana. O que demonstra como as impressões não são neutras, conforme apontam Kury (2001), Franco (2011) e Junqueira (2011), as impressões constituem percepções subjetivas e representações moldadas pela formação intelectual e expectativas dos viajantes.

Dr. Hermann Blumenau, ao estabelecer sua colônia, demonstrou o utilitarismo ao enfatizar o papel da localização dos empreendimentos ao longo dos rios para o escoamento da produção e a viabilidade econômica do território. Também as descrições dos viajantes reforçam essa perspectiva, quando destacam o papel da fertilidade das terras, as condições de navegabilidade e a beleza da paisagem. Como observa Correa (2005), os viajantes ora buscam o exótico, ora buscam o familiar, produzindo analogias às memórias das paisagens europeias.

Os rios foram interpretados como uma via de progresso e como paisagem exuberante, articulando geodiversidade, biodiversidade e ocupação humana. Como mostra Aranha (2020) e Sarat (2011), as descrições representam discursos eurocêntricos nos quais aparecem noções de civilidade, atraso, miscigenação e muitas vezes uma projeção de vazio demográfico legitimando projetos colonizadores. As impressões sobre a paisagem hídrica estavam atravessadas por valores e hierarquizações do imaginário europeu. Contudo, o mesmo elemento natural que impulsionou o progresso fez gerar outros desafios, como as enchentes que impactaram o desenvolvimento dos novos moradores da região. Essa dualidade demonstra como a água, longe de ser um elemento isolado, desempenhou um papel importante na história do Vale do Itajaí.

Os cursos de água foram protagonistas na formação e desenvolvimento das colônias, e moldaram o imaginário, a economia e a ecologia de territórios historicamente transformados por seus fluxos. O eurocentrismo move o discurso dos viajantes, que graças à imigração europeia, impulsionaram o desenvolvimento da região. Neste sentido, a água emerge como elemento estruturante não só do território, mas também das narrativas produzidas sobre ele. Sua presença orientou rotas, condicionou o povoamento, inspirou descrições estéticas e embasou discursos e progresso, e ao mesmo tempo, os medos e desafios com as enchentes. O que faz a água ser integrada no imaginário social como um elemento histórico, simbólico e material do Vale do Itajaí.

 

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Recebido em 28/09/2025.

Aceito em 21/11/2025.



[1]Doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo – USP, docente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional, e Departamento de História e Geografia na Universidade Regional de Blumenau – FURB. Brasil. E-mail: frieden@furb.br| https://orcid.org/0000-0001-6021-8966

[2]Doutor em Desenvolvimento Regional pela Universidade Regional de Blumenau – FURB, pesquisador no Grupo de Pesquisas de História Ambiental do Vale do Itajaí - GPHAVI, e professor no Departamento de Ciências Sociais e Filosofia na FURB. Brasil. E-mail: martin_stabelgarrote@yahoo.com.br| https://orcid.org/0000-0002-8034-3147

[3]Doutora em Desenvolvimento Regional pela Universidade Regional de Blumenau – FURB, docente no Departamento de Arquitetura e Urbanismo na FURB. Brasil. E-mail: snemetz@furb.br | https://orcid.org/0000-0002-9463-3719

[4]Mestranda no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional na Universidade Regional de Blumenau – FURB. Brasil. E-mail: manuelab@furb.br | https://orcid.org/0009-0009-2483-2358