TRANSFORMAÇÕES NA TERRITORIALIDADE INDÍGENA PARAKANÃ

  • Rodrigo Wienskoski Araujo UFRGS

Resumo

Entre os projetos de maior destaque da Ditadura Militar Brasileira está a abertura da Rodovia Transamazônica (BR-230) que interferiu na organização territorial de diversos povos indígenas do país. Esse é o caso dos Parakanã que vivem na Terra Indígena (TI) Parakanã. O objetivo principal deste texto é analisar o processo de transformação da territorialidade indígena Parakanã a partir da consolidação da Rodovia Transamazônica. Para o desenvolvimento do trabalho foi necessário realizar atividades iniciais de gabinete como a compilação de dados bibliográficos, cartográficos e acervo fotográfico.  Os Parakanã durante muitos anos conseguiram conter o contato com a sociedade nacional, mas com a pressão das Frentes de Atração da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Estado conseguiu aos poucos aldear os Parakanã que habitavam as proximidades da rodovia. É neste ponto que recai a desterritorialização sobre esse povo, eles foram privados dos elementos fundamentais da sua territorialidade, desarticulando os vínculos e as práticas territoriais que haviam construído. A territorialidade Parakanã foi se modificando com a dinâmica da Amazônia brasileira, a maioria dos povos indígenas têm vínculos diferenciados com a terra, o que permite a flexibilidade no momento de conceber o território. Não existe uma necessidade de posse da terra, aos moldes da nossa sociedade ocidental, pois é a presença de inimigos, a mobilidade, as roças coletivas, os rituais e etc., que se constituem nos elementos essenciais do território e, consequentemente, da territorialidade.
Publicado
02-11-2018
Como Citar
ARAUJO, Rodrigo Wienskoski. TRANSFORMAÇÕES NA TERRITORIALIDADE INDÍGENA PARAKANÃ. XXXV Encontro Estadual de Geografia (EEG) 2018 - “A diversidade da Geografia e a Geografia da diversidade nas primeiras décadas do século XXI”, [S.l.], n. 35, p. 11, nov. 2018. ISSN 1983-070X. Disponível em: <https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/EEG/article/view/10463>. Acesso em: 19 jan. 2019.