ANÁLISE CRÍTICA DA APLICAÇÃO GLOBAL DE DIFERENTES POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE AO CÂNCER CERVICAL.

  • Ingridy de Souza Digner Faculdades Pequeno Príncipe.
  • Heloisa Cremonez Marcassi Faculdades Pequeno Príncipe
  • Marina Deina Faculdades Pequeno Príncipe
  • Laura Maria Dall'Oglio Faculdades Pequeno Príncipe
  • Emerson Faria Borges Faculdades Pequeno Príncipe

Resumo

A diferença entre o número de casos de câncer de colo uterino em países desenvolvidos e subdesenvolvidos é expressiva, e o Brasil está entre os que possuem altos índices de incidência e prevalência desse agravo. Mesmo em continentes como a Europa, que não possui uma cultura de vacinação para várias doenças, a incidência e prevalência dessa doença são baixas, já que a vacinação de prevenção ao HPV foi estabelecida há algum tempo. Objetivos: constatar a influência da aplicação de diferentes políticas públicas na incidência e mortalidade do câncer de colo uterino. Pois sabe-se que esta é uma patologia evitável e de excelente prognóstico após diagnóstico precoce. Metodologia: foi realizada uma revisão de literatura com dez artigos relacionados à implementação de políticas que contribuem para favorecer o diagnóstico precoce e para evitar a doença. Foram utilizadas as bases de dados PubMed Central e Google Acadêmico, e foram utilizados os descritores: câncer de colo uterino, programas de rastreamento, políticas públicas e diagnóstico precoce. No intuito de direcionar a pesquisa, restringimos nossa busca aos artigos que abordavam as características epidemiológicas desse agravo em países subdesenvolvidos, países desenvolvidos e sua evolução ao longo da implantação do rastreamento, e também artigos que descreviam a relevância estatística das políticas de rastreamento e prevenção na mortalidade da população alvo da nossa busca (mulheres entre 21 e 64 anos), chegando a seis artigos. Resultados: Foi possível constatar que a maioria das mulheres já ouviu falar sobre câncer de colo de útero, apesar da maioria não saber as causas da doença. Dentre as possíveis causas de uma lesão que pudesse originar um câncer colouterino, muitas destacaram bruxaria, múltiplos parceiros sexuais, e inserção de ervas pela vagina. Percebeu-se a influência de políticas públicas aplicadas no controle desse agravo. Em primeiro lugar, constatou-se a necessidade de maior informação da população, principalmente de países em desenvolvimento, com relação à doença. Não há grandes índices de adesão a programas de rastreamento e prevenção quando não existe esclarecimento sobre o assunto. Em países desenvolvidos, onde essas políticas se encontram muito mais arraigadas entre a população, é possível perceber uma redução drástica nos índices que se relacionam à incidência e mortalidade dessa doença. As políticas públicas que oferecem melhor resultado nesses casos são os programas de rastreamento, como o exame citopatológico, que atua diminuindo o índice de mortalidade da doença, e os programas de vacinação, que diminuem a incidência do câncer de colo uterino. Apesar disso, devem-se considerar outras barreiras encontradas entre as mulheres, como resistência às ações de saúde por razões culturais, religiosas (como a necessidade de permissão do marido), gênero do profissional de saúde e medo de infecções. Conclusão: no momento de elaboração das políticas públicas, devem ser avaliados todos os fatores envolvidos nesse processo, a fim de aumentar a adesão. Para isso, todas essas medidas devem ser avaliadas de maneira que sejam respeitadas as variadas culturas nas diferentes regiões do globo, adaptando estratégias efetivas às diversas realidades. Além disso, é preciso atuar por meio de três frentes: informação, prevenção e diagnóstico precoce.

Referências

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Publicado
12-04-2018
Como Citar
DIGNER, Ingridy de Souza et al. ANÁLISE CRÍTICA DA APLICAÇÃO GLOBAL DE DIFERENTES POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE AO CÂNCER CERVICAL.. Congresso Internacional de Políticas Públicas de Saúde, [S.l.], v. 1, n. 1, abr. 2018. Disponível em: <https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/CIPPS/article/view/6957>. Acesso em: 20 jan. 2019.
Seção
Saberes e Práticas de Atenção à Saúde